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Agronegócio
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Governo propõe fundo garantidor para o próximo Plano Safra

Iniciativa visa facilitar acesso ao crédito rural em meio a crises

Ricardo Alves13 de maio de 2026 às 14:25
Governo propõe fundo garantidor para o próximo Plano Safra

O governo federal considera de modo favorável a implementação de um fundo garantidor no próximo Plano Safra, conforme destacou o vice-presidente Geraldo Alckmin durante o 4º Congresso da Abramilho em Brasília.

A proposta, que ainda está em discussão, sugere a criação de um fundo financiado com recursos públicos que funcionaria como uma garantia parcial para operações de crédito rural. Alckmin explicou que "a ideia é disponibilizar um fundo com até 10% do total, que, se não utilizado, retornaria ao Tesouro Nacional, mas que possibilitaria um aumento significativo no crédito disponível".

Os problemas enfrentados pelos produtores vão além dos custos do crédito, pois muitos deles têm dificuldades em acessar financiamentos devido a restrições cadastrais ou situação financeira desfavorável.

Ele lembrou que, atualmente, o crédito possui juros aceitáveis, mas a verdadeira barreira é o acesso a esse financiamento. O vice-presidente ainda elogiou o modelo de fundo garantidor implementado no Rio Grande do Sul durante a recente crise climática, apontando que ele pode servir como exemplo em nível nacional.

Discussões sobre o futuro do crédito rural

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, confirmou que as discussões em torno do fundo garantidor, além de renegociação de dívidas e seguros rurais, são partes integrantes das tratativas do novo Plano Safra. Segundo ele, o objetivo é criar um programa que não apenas amplie o crédito, mas que também ofereça condições financeiras acessíveis aos produtores.

"

Estamos empenhados em formular um Plano Safra consistente, que leve em consideração tanto os juros quanto as dívidas dos agricultores"

André de Paula.

O ministro demonstrou otimismo em relação ao fundo garantidor, afirmando que "é em momentos de crise que as soluções começam a aparecer". Ele mencionou que algumas medidas poderão ser incorporadas ao próximo Plano Safra, enquanto outras continuarão sendo debatidas nos próximos anos.

Impactos das crises no agro

A senadora Teresa Cristina destacou que o setor agropecuário enfrenta uma "tempestade perfeita" devido a múltiplas crises, incluindo crises geopolíticas, alta nos custos e baixa rentabilidade. Ela observou que as repercussões da guerra entre Rússia e Ucrânia e de novas tensões no Oriente Médio estão impactando a logística e o custo de insumos essenciais.

A senadora também apontou que as negociações sobre a renegociação de dívidas agora envolvem cifras muito superiores às previstas anteriormente, com um passivo potencial ultrapassando R$ 170 bilhões, incluindo dívidas não bancárias. "Resolver essa situação pode proporcionar mais estabilidade tanto para o governo quanto para os bancos, evitando que essa questão retorne a cada ano", comentou.

Cristina ainda mencionou um projeto de lei que foi aprovado pela Câmara há dois anos, inicialmente voltado para o Rio Grande do Sul, mas que agora possui um escopo mais abrangente devido ao agravamento climático e financeiro enfrentado pelos produtores.

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