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Agronegócio
4 min de leitura

Indústria de alimentação animal cresce com intensificação da produção

O setor se recupera com forte demanda de ração e expansão da pecuária

Gabriel Rodrigues11 de julho de 2026 às 09:30
Indústria de alimentação animal cresce com intensificação da produção

O setor de alimentação animal no Brasil voltou a mostrar crescimento consistente, após um período instável marcado pela volatilidade nos custos de grãos e questões econômicas. Fatores como a promoção da avicultura, a recuperação da suinocultura e o aumento no confinamento bovino foram essenciais para essa recuperação.

De acordo com Ariovaldo Zani, CEO do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), a resiliência do setor se deve à expansão simultânea de diferentes cadeias produtivas. Em 2025, a produção total de rações e suplementos atinou aproximadamente 94 milhões de toneladas, um aumento em relação aos 91 milhões de toneladas registrados no ano anterior.

Previsões indicam que a produção de rações pode chegar a 97 milhões de toneladas em 2026, impulsionada pelo aumento da produção pecuária e pela demanda crescente por proteínas tanto no mercado interno quanto externo.

Avicultura é líder no consumo de ração

No Brasil, a avicultura continua a ser a maior consumidora individual de ração. O volume consumido neste setor cresceu de 36,9 milhões de toneladas em 2024 para 37,85 milhões em 2025, refletindo um aumento de 2,5%. As projeções para 2026 apontam para um consumo de ração no segmento de 39,1 milhões de toneladas.

Zani destaca que a demanda externa tem grande influencia nesse crescimento, uma vez que o frango brasileiro é competidor consolidado no mercado. "Qualquer aceleração nas exportações repercute diretamente no volume de ração produzida", comenta.

Crescimento do confinamento bovino

O confinamento bovino marcou um avanço significativo no setor. O número de animais confinados aumentou de 7,96 milhões em 2024 para 9,25 milhões em 2025, um crescimento de 16% que deve se aproximar de 10 milhões em 2026.

Esse crescimento implica um maior consumo de ração na bovinocultura de corte, que subiu 7,5% em 2025. Com isso, são 7,76 milhões de toneladas utilizadas, o maior crescimento percentual entre as cadeias tradicionais.

"

A intensificação da pecuária eleva significativamente a complexidade da nutrição animal. Dietas mais precisas são necessárias para otimizar ganho de peso e qualidade de carcaça

Ariovaldo Zani.

Além disso, o confinamento permite um ciclo de abate mais curto e maior padronização do produto final, o que beneficia diretamente a rentabilidade dos produtores.

Cenário de custos de grãos

A melhoria nos custos de grãos também foi um fator fundamental para o crescimento da indústria em 2025, especialmente para a suinocultura, que enfrentou dificuldades anteriormente. O Sindirações observa que o ambiente de custos em 2026 dependerá de diversos fatores externos.

O milho, por exemplo, sofrerá a influência do clima em regiões produtoras e da demanda por exportações, que são substanciais devido à produção de etanol. A volatilidade dos preços da soja também é uma preocupação para o setor, impactada por fatores como as políticas agrícolas nos EUA e na Argentina.

Desafios internacionais

O Sindirações está atento ao impacto das salvaguardas impostas pela China às importações de carne bovina, que podem afetar indiretamente o setor de alimentação animal. A redução das exportações poderia desencorajar investimentos em frigoríficos e afugentar produtores do confinamento.

As incertezas sobre o acesso ao mercado chinês afetam as expectativas de planejamento do setor, levando a um crescimento conservador nas projeções para 2026, especialmente na produção bovina.

Perspectivas para o futuro

Para este ano, a expectativa é que o mercado interno continue sendo um pilar importante para o crescimento da indústria, apoiado pelo aumento do consumo de proteína animal e pelo dinamismo de segmentos como pets e aquicultura.

A intensificação da pecuária, especialmente pelo aumento do confinamento, deverá ser um motor de crescimento para 2026. No entanto, o sucesso continuará dependente de condições econômicas favoráveis para a nutrição animal e da estabilidade nos custos dos grãos.

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