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Agronegócio
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Indústrias de Pescados no Brasil Adiam Investimentos Por Incertezas Econômicas

Conflitos no Oriente Médio e aumento de custos impactam R$ 500 milhões de investimentos planejados para 2026.

Carlos Silva02 de abril de 2026 às 05:15
Indústrias de Pescados no Brasil Adiam Investimentos Por Incertezas Econômicas

A instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio está forçando as indústrias de pescados do Brasil a postergar investimentos estimados em mais de R$ 500 milhões para 2026. Embora a normalização das exportações para os Estados Unidos, após a eliminação de tarifas, tenha criado expectativas positivas, o cenário atual é de hesitação, conforme relato de Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pescados (Abipesca).

Suspensão de Investimentos

Lobo explicou que, nos primeiros meses do ano, os empresários estavam dispostos a realizar novos investimentos. No entanto, a incerteza atual os deixou reticentes, causando uma pausa nas expansões e construções planejadas. "A situação é de espera, pois ninguém sabe o que está por vir", comentou.

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“Temos uma carteira de investimentos planejados, represados na ordem de R$ 500 milhões”, revelou Eduardo Lobo.

A guerra impacta mercados cruciais, como o árabe, que consome uma parte significativa dos pescados brasileiros.

Impacto Logístico

Além da incerteza política, as indústrias enfrentam um aumento de até 40% nos custos de frete devido à alta do óleo diesel e do querosene de aviação.

O diesel é responsável por cerca de 40% dos custos operacionais das embarcações. Cerca de 20 mil barcos de pesca artesanal são afetados, o que pode refletir no preço dos pescados para os consumidores a partir de maio, afirmou Lobo.

  • 1Aumento dos custos de frete
  • 2Perspectiva de aumento nos preços dos produtos
  • 3Necessidade de aumentar o consumo interno

Embora o consumo de pescados tenha se mantido estável durante a quaresma, Lobo alerta que os preços poderão subir, prejudicando a competitividade do setor tanto no mercado interno quanto no internacional.

Os índices de consumo podem ser afetados, pois apesar da demanda, a população pode ter dificuldade em adquirir esses produtos por conta do aumento nos preços.

Por outro lado, Lobo destaca que produtos importados, como salmão e bacalhau, estão com preços competitivos devido à queda do dólar.

Novos Mercados e Expectativas

Após a taxação nos Estados Unidos, o setor se diversificou, aumentando as vendas para a China e outros países da Ásia, que absorveram a produção previamente destinada aos EUA. Apesar da perda de bilhões em exportações, há esperança com a redução das tarifas que podem elevar as vendas para US$ 550 milhões.

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“Compartilhamos a expectativa positiva com a nomeação do ex-ministro da Pesca para o Ministério da Agricultura, o que traz esperanças para o nosso setor”, afirmou Lobo.

Oportunidade na União Europeia

Uma auditoria da União Europeia no Brasil, aguardada há sete anos, pode reabrir o mercado europeu para os pescados brasileiros, uma expectativa que anima o setor.

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