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Agronegócio
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Mercado de fertilizantes em Portugal sente efeitos da crise no Irã

Aumento significativo nos custos de insumos ameaça produção agrícola

João Pereira15 de abril de 2026 às 08:45
Mercado de fertilizantes em Portugal sente efeitos da crise no Irã

O agravamento do conflito no Irã está provocando uma perturbação significativa nos mercados globais de fertilizantes, impactando diretamente a agricultura em Portugal em um momento crucial para as compras de insumos.

O Estreito de Ormuz, essencial para o comércio de matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes, é o foco dessa disrupção. Com a possibilidade de bloqueios nessa rota e as tensões geopolíticas aumentando, os custos dos insumos estão subindo drasticamente.

Os preços dos fertilizantes em Portugal aumentaram entre 20% e 30%, com alguns produtos subindo mais de 50% desde o início do conflito.

Por exemplo, o preço da ureia granulada, um fertilizante importante, saltou de US$ 446 para US$ 687 por tonelada, uma elevação de 54%. Este aumento está pressionando os custos de produção agrícola, crucial para a manutenção da produtividade.

Embora Portugal não importe fertilizantes diretamente do Golfo, o país depende fortemente de fornecedores externos. Dados do Eurostat indicam que a maior parte dos fertilizantes nitrogenados é importada da Argélia, Egito e Rússia, totalizando cerca de €50 milhões em 2025.

A vulnerabilidade do setor a interrupções nas cadeias de suprimento e flutuações nos preços de energia é preocupante. Produtos fundamentais para a proteção das lavouras, como o glifosato, também apresentam aumento de preços, complicando ainda mais a situação financeira dos agricultores.

Com o aumento dos custos de energia, especialmente dos combustíveis, a pressão sobre as operações agrícolas é evidente. A CropLife Portugal destaca que, embora faltam dados consolidados, os efeitos da alta dos preços do diesel agrícola já são visíveis, complicando o manejo contra pragas e doenças.

A associação ressalta a importância de otimizar o uso de insumos e adotar tecnologias de agricultura de precisão para melhorar a eficiência e reduzir custos.

Analistas financeiros, como Daniel Rocha, notam que a dependência de Portugal por energia importada o torna vulnerável a interrupções prolongadas. Com as restrições nas rotas de abastecimento, os preços dos fertilizantes devem continuar altos, afetando os preços dos alimentos.

Esse panorama revela a fraqueza das cadeias de suprimento agrícolas frente a choques geopolíticos. Para Portugal e a Europa, reforça a urgência de diversificar fontes de insumos e investir em tecnologias que minimizem os riscos futuros.

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