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economia
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Bloqueio no Estreito de Ormuz afeta mercado global de fertilizantes

Interrupção de fornecimento causa aumento nos preços e escassez

Fernanda Lima13 de abril de 2026 às 16:40
Bloqueio no Estreito de Ormuz afeta mercado global de fertilizantes

O bloqueio do Estreito de Ormuz resultou na retirada de 800 mil toneladas mensais de fertilizantes do mercado, impactando diversos países, de acordo com uma análise do RaboResearch, uma divisão de pesquisa do Rabobank.

A região é responsável por 30% das exportações globais de ureia, 27% de amônia, 24% de fosfatos e 48% de enxofre, e essa paralisação está criando um choque de oferta que não pode ser totalmente compensado, afirma Bruno Fonseca, analista sênior de insumos agrícolas da instituição.

A India planeja adquirir 2,5 milhões de toneladas de ureia, o que pode pressionar os preços para cima a curto prazo.

Além disso, a África, apesar de ser produtora no norte, pode sofrer com a escassez em regiões menos produtivas. Fonseca observa que a interrupção no fornecimento de fertilizantes está reverberando em todo o mercado de energia, afetando principalmente o sul da Ásia.

A diminuição do fluxo de gás natural liquefeito (GNL) do Catar já está reduzindo a produção de nitrogênio na Índia, Paquistão e Bangladesh, enquanto países como Egito e Argélia no norte da África lidam com aumento de custos e menores embarques de amônia e ureia.

Os produtos fosfatados também estão enfrentando desafios, já que a Saudi Arabian Mining Company (Ma’aden) não consegue enviar os volumes habituais de fosfato devido ao bloqueio de navios no Golfo Pérsico. Aproximadamente 27% da amônia global transportada por via marítima está interrompida, resultando em aumento dos preços de referência.

Produtores de fosfato nos setores dependentes de enxofre e amônia, como Marrocos, China e Indonésia, já estão enfrentando margens comprimidas e uma consequente diminuição na oferta.

A escassez das opções de fornecimento está se intensificando na medida em que países implementam medidas protecionistas; a Turquia, por exemplo, proibiu a exportação de ureia, redirecionando embarques para seu mercado doméstico.

A síntese do nitrato de amônio na Rússia também foi suspensa, justo no momento em que diversas fábricas russas de nitrogênio enfrentam danos devido a conflitos armados e paragens na produção.

Embora a China continue sendo um fornecedor crítico, as restrições em suas exportações de ureia, DAP/MAP, nitrogênio, além de potássio e superfosfato, devem persistir, limitando as opções globais de abastecimento.

Fonseca destaca ainda que há preocupações com cortes na produção de fosfato por empresas norte-americanas no Brasil e manutenções programadas no norte da África. Ele observa que, ao que tudo indica, os preços do fosfato devem permanecer elevados por mais tempo.

Os preços da ureia, por sua vez, já começaram a se elevar em janeiro de 2026 devido à demanda da Índia, com um aumento global superior a 43% após o início do conflito no Oriente Médio. A guerra na Ucrânia provocou um incremento assustador de 62% em três semanas, atingindo um pico de 67% antes de regressar aos níveis anteriores ao conflito após 24 semanas.

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