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Agronegócio
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Mercado de fertilizantes pode levar um ano para se recuperar

Impacto das guerras no Oriente Médio e na Europa afeta produção.

Giovani Ferreira30 de abril de 2026 às 08:45
Mercado de fertilizantes pode levar um ano para se recuperar

O mercado global de fertilizantes poderá levar até um ano para retomar sua capacidade produtiva, conforme a análise de Marcelo Altieri, presidente da Yara no Brasil, caso os conflitos no Oriente Médio e na Europa terminassem imediatamente.

Altieri compartilhou essa perspectiva durante uma entrevista ao Globo Rural Cast, enquanto participava da Agrishow em Ribeirão Preto (SP). Ele enfatizou que a situação é alarmante não só para o Brasil, mas para o mundo todo.

Cerca de 34% do nitrogênio e metade do enxofre consumidos globalmente transitam pelo Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado por conta da guerra.

Recentes combates entre Rússia e Ucrânia impactaram a infraestrutura e a produção de insumos, o que dificulta ainda mais a recuperação do setor. "Se a guerra terminasse amanhã, a recuperação seria demorada devido aos danos já causados", comentou Altieri.

O Brasil, que depende fortemente da importação de fertilizantes e é o principal mercado da Yara na América do Sul, enfrenta riscos de abastecimento. Com os conflitos em andamento, a entrega de insumos para a próxima safra se torna uma incerteza crescente.

O período de transporte de fertilizantes da China até os portos brasileiros pode levar em média 90 dias, mais dois ou três dias adicionais para alcançar os produtores. Altieri observou que muitos agricultores que realizam cargas agora só receberão seus produtos em agosto.

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"A capacidade de importação do Brasil é de aproximadamente 4,5 milhões de toneladas mensais, que não será suficiente para manter os inventários do ano passado. Isso já indica um impacto significativo para a safra", disse Altieri.

Em 2025, a entrega total de fertilizantes no Brasil foi de 49,11 milhões de toneladas, com um aumento de 7,7% em relação a 2024, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). No entanto, para este ano, espera-se uma queda de 10% a 12% nas entregas.

Altieri lembrou que, com a alta nos preços dos insumos, os produtores devem se tornar mais seletivos, resultando em um "rebalanceamento" do mercado agrícola.

Os estoques de fertilizantes no Brasil são considerados baixos em relação à demanda atual.

A falta de matérias-primas está impedindo as indústrias de operar em plena capacidade, o que agrava a ineficiência do sistema que já era evidenciada pelos altos custos de energia.

Altieri mencionou que o Plano Nacional de Fertilizantes do governo tinha uma "excelente intenção", mas os resultados ainda não se mostram efetivos. O fechamento de fábricas nos últimos anos resultou na perda de capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas anualmente.

Ele destacou a importância de um plano sustentável de produção de fertilizantes que não dependa apenas de ações emergenciais em tempos de conflito, mas que necessariamente deva ser parte de uma política de Estado do Brasil.

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