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Agronegócio
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MT-240 em Mato Grosso Afeta Severamente a Colheita de Soja

Dificuldades na rodovia implicam perdas significativas para o agronegócio da região de Paranatinga.

Ricardo Alves31 de março de 2026 às 11:00
MT-240 em Mato Grosso Afeta Severamente a Colheita de Soja

A rodovia MT-240, situada em Paranatinga, Mato Grosso, tem causado detrimento significativo ao agronegócio local. Numa extensão de aproximadamente 40 quilômetros, caminhoneiros e produtores enfrentam atoleiros frequentes, longas filas e dificuldades extremas no tráfego, o que prejudica severamente o escoamento da produção de soja.

Agravamento da Situação

Com trechos quase intransitáveis, o transporte da safra tornou-se um desafio. Caminoneiros relatam períodos em que ficam parados por dias, sem conseguir avançar. Há relatos de motoristas que chegam à tarde e permanecem até o dia seguinte sem conseguir sair do local, presos na lama e à espera de assistência.

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Muitas noites a gente dorme aqui. Cheguei 3 horas da tarde ontem e agora já é hora do almoço e continuo parado. Isso acontece frequentemente. Não tem tração e o barro é muito

Valter José da Silva, caminhoneiro.

O cenário se agrava com as chuvas, tornando o solo ainda mais instável.

Impactos Diretos

Muitos caminhões não conseguem tração, atolando repetidamente ao longo do caminho, ocasionando desgaste mecânico e atrasos nas entregas.

Além das dificuldades enfrentadas pelos caminhoneiros, os produtores rurais também estão sendo afetados diretamente. A dificuldade em acessar suas áreas de cultivo resulta em parte da safra permanecer no campo, já em processo avançado de colheita, potencializando perdas tanto em produtividade quanto na qualidade dos grãos.

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Não conseguimos colher. Já estamos com risco de perder soja. Os caminhões ficam até três dias atolados ou na fila para serem puxados

Heliton, agricultor.

Even with improvements in the weather forecast, the harvest remains impeded. "Não adianta o tempo abrir se não tem caminhão. Está tudo parado. Já estamos começando a calcular perdas", disse Heliton, que teme por sua produção. Estima-se que as perdas possam afetar pelo menos 500 hectares.

Em certas áreas, a situação é tão grave que propriedades rurais foram convertidas em desvios improvisados. Caminhões transitam por lavouras na tentativa de evitar os trechos mais problemáticos, ocasionando ainda mais danos.

Danos e Perdas

A passagem de caminhões por lavouras pode destruir investimentos em solo, resultando em perdas estimadas de cerca de 15%.

Além das consequências para a produção, o impacto financeiro é significativo. Os custos de arrendamento, estimados em aproximadamente 10 sacas por hectare, tornam inviável a cobertura das despesas desta safra.

A péssima condição da rodovia também desencoraja transportadores. "Quem vai colocar caminhão aqui para estragar tudo? Ninguém vem", declarou um produtor.

A dificuldade de acesso e a largura restrita da estrada comprometem ações de manutenção e atendimento emergencial. Os produtores lembram que esse problema é antigo e já foi alvo de ações no Ministério Público. "Não é novidade. A gente quer saber quando isso vai acabar e qual é a solução. Chega um ponto em que não há mais viabilidade: não conseguimos trafegar, nem retirar a produção da lavoura", concluiu um deles.

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