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Agronegócio
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Projeção aponta crescimento modesto na soja de Mato Grosso

Safra 2026/27 deve ter incremento pequeno na área de cultivo.

Ricardo Alves02 de junho de 2026 às 02:45
Projeção aponta crescimento modesto na soja de Mato Grosso

A primeira estimativa para a safra de soja 2026/27 em Mato Grosso revela um avanço modesto na produção agrícola do estado. De acordo com Antonio Prado G. B. Neto, especialista em agronegócio, a área plantada com soja deverá atingir 13,05 milhões de hectares, representando um aumento de apenas 0,25% em relação à safra anterior.

Esse crescimento, o menor registrado nos últimos anos, sugere que o aumento de área cultivada em Mato Grosso — o principal estado produtor de soja do Brasil — está chegando a seu limite. Com a adição de cerca de 1,57 milhão de hectares nos últimos cinco anos, o aumento da produção deve agora depender mais de melhorias na produtividade e manejo agronômico.

Projeção de produtividade é de 62,44 sacas por hectare, queda de 5,43% em relação à safra anterior, devido a riscos climáticos.

O IMEA projetou uma produtividade média de 62,44 sacas por hectare, uma diminuição de 5,43% comparado à safra 2025/26. Essa expectativa negativa está ligada às incertezas climáticas, especialmente considerando o aumento das chances de um fenômeno de El Niño. De acordo com a NOAA, há mais de 90% de probabilidade de sua ocorrência entre junho e agosto de 2026, o que pode causar atrasos nas chuvas e secas na região Centro-Norte do Brasil.

Enquanto isso, a Região Sul deverá enfrentar chuvas acima da média. Nesse cenário, práticas agrícolas como gerenciamento do solo, calagem e uso produtivo de fertilizantes se tornam cruciais para otimizar a produtividade.

No mercado, a soja e o milho encerraram o mês de maio com preços pressionados e pouca liquidez. A soja, em particular, teve uma comercialização abaixo da média histórica, com preços nos portos cerca de R$ 15 por saca inferiores aos registrados no início da safra recorde. O milho também passou por queda, influenciado pelo avanço do plantio nos EUA e o início da colheita da safrinha brasileira, apresentando uma redução de aproximadamente R$ 5 por saca.

Apesar da pressão atual sobre os preços, os fundamentos do milho continuam sólidos, impulsionados pelo consumo interno voltado para etanol e ração animal. Em um cenário de altas taxas de juros, custos elevados de fertilizantes e riscos climáticos crescentes, o planejamento cuidadoso e a gestão financeira se mostram essenciais para o sucesso da safra 2026/27.

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