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Agronegócio
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Mudanças climáticas ameaçam produção de café arábica no Brasil

Cooperativas adotam estratégias para mitigar o impacto das mudanças

Mariana Souza04 de maio de 2026 às 08:10
Mudanças climáticas ameaçam produção de café arábica no Brasil

As mudanças climáticas estão reconfigurando o panorama da produção de café arábica mundial, afetando diretamente os tradicionais centros de cultivo. O aumento das temperaturas e a ocorrência de chuvas irregulares dificultam o plantio, levando as cooperativas brasileiras, que representam mais da metade da produção nacional, a adotar medidas de adaptação.

Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg, destaca que o desafio é real e requer uma resposta técnica e planejamento adequado. "As cooperativas estão atentas à realidade do produtor e percebem que a adaptação é crucial para manter a competitividade", disse.

Atualmente, 8% das áreas destinadas ao cultivo de café arábica no mundo já são consideradas inadequadas; esse número pode aumentar para 20% até 2050.

Um estudo do Rabobank revela que o Brasil e a Colômbia, os maiores produtores de arábica, já enfrentaram quebras de safra por eventos climáticos extremos. No Brasil, 81% do café arábica é cultivado em áreas adequadas, com uma média de produção de 32,6 sacas por hectare.

Impacto das Mudanças Climáticas nas Zonas de Cultivo

Projeções indicam que até 2050, áreas consideradas adequadas no Brasil cairão para 62%, enquanto as marginalmente adequadas aumentarão de 11% para 27%. Além disso, as áreas inaptas crescerão de 6% para 9%.

Na Colômbia, a previsão é que a proporção de café em zonas inadequadas suba de 7% para 18%. Em contraste, na Etiópia, áreas adequadas devem aumentar de 39% para 50%.

No Brasil, as regiões mais impactadas incluem o Cerrado, especialmente em estados como Minas Gerais, Goiás e Bahia.

Cooperativas como a Expocacer estão investindo em práticas de agricultura regenerativa, visando promover a resiliência das lavouras e melhorar a saúde do solo.

Por exemplo, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), de Patrocínio (MG), busca expandir a área sob cultivo regenerativo para 25 mil hectares, atualmente sendo de 13 mil hectares. Essas práticas já resultaram na redução das emissões de carbono nas plantações.

Chegando a um padrão de 3 a 4 toneladas de carbono por hectare, ações como a aplicação de bioinsumos e a rotação de culturas ajudam a melhorar a retenção de água e a fertilidade do solo.

Outras cooperativas, como a Coocafé, empenham-se na produção de biochar, um condicionador de solo que melhora a retenção de água e o armazenamento de nutrientes.

Ação e Sustentabilidade no Setor

O gerente de desenvolvimento técnico da Coocafé, Valdean Lourenço Teófilo, informa que o mercado internacional valoriza cafés com baixas emissões de carbono, o que está impulsionando a transição para práticas mais sustentáveis e ambientalmente amigáveis.

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As práticas regenerativas não apenas ajudam o meio ambiente, mas também elevam a produtividade e a qualidade do café, o que é essencial em tempos de mudanças climáticas.

Contexto

As cooperativas de café no Brasil são fundamentais para a produção e a implementação de tecnologias que visam a sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas no setor agrário.

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