Cooperativas adotam estratégias para mitigar o impacto das mudanças

As mudanças climáticas estão reconfigurando o panorama da produção de café arábica mundial, afetando diretamente os tradicionais centros de cultivo. O aumento das temperaturas e a ocorrência de chuvas irregulares dificultam o plantio, levando as cooperativas brasileiras, que representam mais da metade da produção nacional, a adotar medidas de adaptação.
Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg, destaca que o desafio é real e requer uma resposta técnica e planejamento adequado. "As cooperativas estão atentas à realidade do produtor e percebem que a adaptação é crucial para manter a competitividade", disse.
✨ Atualmente, 8% das áreas destinadas ao cultivo de café arábica no mundo já são consideradas inadequadas; esse número pode aumentar para 20% até 2050.
Um estudo do Rabobank revela que o Brasil e a Colômbia, os maiores produtores de arábica, já enfrentaram quebras de safra por eventos climáticos extremos. No Brasil, 81% do café arábica é cultivado em áreas adequadas, com uma média de produção de 32,6 sacas por hectare.
Projeções indicam que até 2050, áreas consideradas adequadas no Brasil cairão para 62%, enquanto as marginalmente adequadas aumentarão de 11% para 27%. Além disso, as áreas inaptas crescerão de 6% para 9%.
Na Colômbia, a previsão é que a proporção de café em zonas inadequadas suba de 7% para 18%. Em contraste, na Etiópia, áreas adequadas devem aumentar de 39% para 50%.
No Brasil, as regiões mais impactadas incluem o Cerrado, especialmente em estados como Minas Gerais, Goiás e Bahia.
✨ Cooperativas como a Expocacer estão investindo em práticas de agricultura regenerativa, visando promover a resiliência das lavouras e melhorar a saúde do solo.
Por exemplo, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), de Patrocínio (MG), busca expandir a área sob cultivo regenerativo para 25 mil hectares, atualmente sendo de 13 mil hectares. Essas práticas já resultaram na redução das emissões de carbono nas plantações.
Chegando a um padrão de 3 a 4 toneladas de carbono por hectare, ações como a aplicação de bioinsumos e a rotação de culturas ajudam a melhorar a retenção de água e a fertilidade do solo.
Outras cooperativas, como a Coocafé, empenham-se na produção de biochar, um condicionador de solo que melhora a retenção de água e o armazenamento de nutrientes.
O gerente de desenvolvimento técnico da Coocafé, Valdean Lourenço Teófilo, informa que o mercado internacional valoriza cafés com baixas emissões de carbono, o que está impulsionando a transição para práticas mais sustentáveis e ambientalmente amigáveis.
"As práticas regenerativas não apenas ajudam o meio ambiente, mas também elevam a produtividade e a qualidade do café, o que é essencial em tempos de mudanças climáticas.
As cooperativas de café no Brasil são fundamentais para a produção e a implementação de tecnologias que visam a sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas no setor agrário.
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