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Agronegócio
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Mudanças climáticas exigem inovação na agricultura brasileira

Pesquisadores discutem controle biológico como solução sustentável

Giovani Ferreira11 de maio de 2026 às 10:15
Mudanças climáticas exigem inovação na agricultura brasileira

As alterações climáticas estão gerando novos desafios para a agricultura, como o aumento das temperaturas e a frequência de fenômenos extremos, que favorecem o surgimento de doenças e desestabilizam os processos produtivos. Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa, propõe ampliar o uso do controle biológico e proteger a biodiversidade microbiana como estratégias fundamentais para aumentar a resiliência da produção agrícola.

Segundo Bettiol, a implementação de microrganismos benéficos pode otimizar a eficiência das plantas no uso da água, minimizar o impacto ambiental e reduzir a dependência de fertilizantes e pesticidas químicos. Ele ressalta que a discussão sobre sustentabilidade tende a focar no aspecto econômico, negligenciando a importância da proteção da biosfera e da biodiversidade, que são cruciais para o controle biológico.

A protección de microrganismos é essencial para manter a biodiversidade agrícola.

Bettiol também alertou que os limites planetários em relação à mudança climática já foram superados, resultando em eventos extremos como secas e enchentes. Como parte das soluções, ele mencionou o Auras, um produto desenvolvido pela Embrapa para reduzir os efeitos do estresse hídrico nas plantas. Além disso, o aumento das temperaturas globais pode favorecer doenças agrícolas causadas por vírus e molicutes, transmitidos por vetores.

O pesquisador evidenciou que o uso de insumos químicos tem um alto custo ambiental; produção de um quilo de defensivo químico pode gerar até 25 quilos de CO2, enquanto um bioinsumo representa apenas 5 quilos. Bettiol enfatiza que a agricultura depende do controle biológico natural, mas práticas agrícolas atuais comprometem esse equilíbrio. Ele destacou que no Brasil existem 277 produtos biológicos registrados, com utilização de apenas duas cepas de microrganismos, o que demonstra o vasto potencial da biodiversidade nacional.

A Perspectiva de Inovação

O professor Carlos Alexandre Cruciol, da Unesp, apresentando suas pesquisas sobre agentes de biocontrole, afirma que os microrganismos possuem funções além do combate às doenças. Eles podem modificar a fisiologia das plantas, aumentando sua nutrição e eficiência no uso da água, minimizando os efeitos do estresse abiótico. Cruciol observou um crescimento significativo nas pesquisas sobre produtos biológicos, especialmente em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar e citrus.

Ele observa que organismos, como Bacillus, ajudam as plantas a superar estresses abióticos, enquanto fungos do gênero Trichoderma têm mostrado maior sucesso em situações de escassez de água. Apesar dos avanços, ainda há muito a ser descoberto sobre os metabólitos dos microrganismos e suas interações com as plantas, o que poderá desencadear uma nova revolução na agricultura.

BioSummit 2026

O BioSummit 2026, realizado em Campinas, SP, reuniu diversos especialistas para discutir a importância dos bioinsumos frente à mudança climática e para a agricultura sustentável.

Na abertura do evento, a CEO do FB Group e da Rebate Agro, Daiana Lopes, ressaltou a relevância da produção sustentável e do compartilhamento de conhecimentos. A jornalista especializada no setor, Renata Maron, comentou sobre o crescimento do uso de bioinsumos no Brasil, onde a área tratada com essas tecnologias chegou a 194 milhões de hectares em 2025, um crescimento considerável em relação aos últimos cinco anos.

O evento também prestou homenagens, incluindo ao Engenheiro Agrônomo Chukichi Kurozawa, por seus 27 anos de contribuição à difusão do conhecimento agronômico. De acordo com Bettiol, o BioSummit é o principal evento da América Latina relacionado aos bioinsumos, permitindo um intercâmbio enriquecedor entre todos os envolvidos no setor, visando um futuro mais sustentável.

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