Nova norma padroniza morangos e gera polêmica entre produtores
Medida do Ministério da Agricultura busca uniformidade, mas traz desafios.

A nova portaria nº 886/2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que entrou em vigor em fevereiro de 2026, está transformando a forma como os morangos são comercializados no Brasil, exigindo um padrão de classificação que preocupa os produtores.
A norma estabelece critérios de identidade e qualidade para os morangos vendidos in natura, como a classificação por tamanho, dividindo os frutos em três categorias: menores que 20 mm, entre 20 mm e 30 mm e maiores que 30 mm. Essa padronização busca que cada bandeja contenha morangos semelhantes em tamanho.
✨ A portaria também define categorias de qualidade e regras rigorosas para rotulagem e embalagem dos morangos.
Os produtores também devem se preocupar com a presença de defeitos nos morangos, que podem resultar em limitações na comercialização. Os critérios abrangem desde problemas graves, como podridão, até falhas leves que podem afetar a aceitação do produto no mercado.
Reações da comunidade agrícola
As reações à nova normativa são diversas. Em Rancho Queimado, SC, conhecidos como a Capital Catarinense do Morango, os agricultores estão divididos. Enquanto alguns acreditam que a norma é benéfica para a padronização e a comercialização, outros apontam que a medida acarretará em custos mais altos e complicações logísticas.
"A medida vai aumentar os custos e tornar o processo mais demorado, isso é preocupante
Silvano, que produz cerca de 8 toneladas anualmente, alerta que a nova legislação pode afetar negativamente a produção, especialmente para aqueles que vendem para supermercados e feiras, onde a padronização é ainda mais crítica.
Por outro lado, Vanessa Plein Arenhardt, uma produtora local, vê a regulamentação como uma oportunidade para melhorar a experiência do consumidor, garantindo que os consumidores encontrem morangos de tamanho uniforme nas prateleiras.
Embora alguns produtores afirmem que a norma dificultará a venda de morangos menores, Vanessa explica que esses frutos ainda podem ser comercializados, apenas de forma adequada em bandejas específicas.
Críticas e descontentamento
As críticas à portaria não se limitam ao setor agrícola. Em Brasília, o deputado federal Daniel Freitas (PL-SC) expressou sua insatisfação, argumentando que as exigências da norma dificultarão o trabalho dos agricultores, especialmente os da agricultura familiar.
"As medidas impostas pela portaria representam uma ameaça à sobrevivência econômica dos produtores
Em resposta, Freitas apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para suspender a portaria, que atualmente aguarda despacho na Câmara dos Deputados.
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