Olivicultura cresce no Paraná com perspectivas promissoras
Produção de azeite de oliva se expande e cria novas oportunidades

A olivicultura, que já se consolidou em estados como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo, está começando a se firmar também no Paraná. Com 140 hectares dedicados ao cultivo, entre áreas comerciais e experimentais, a prática agrícola começa a mostrar seu potencial no estado.
Nos últimos dez anos, o cultivo de oliveiras cresceu significativamente, com a área atual sendo o dobro da que existia anteriormente. Dados do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) mostram que entre 2017 e 2021, a adesão de novos produtores elevou o total de hectares cultivados para 100, e a tendência é de que esse número aumente ainda mais.
"A expectativa é que, no médio prazo, os consumidores possam contar com um portfólio de azeites de oliva paranaenses
Um exemplo de produtor comprometido com a olivicultura é Márcio Thomaz, de Irati. Ele começou seu pomar em 2020, plantando 6 mil oliveiras em 18 hectares com diferentes variedades. Thomaz já colheu 3 mil quilos de frutos, produzindo 500 litros de azeite. Ele está otimista para a produção atual, destacando que o clima favorável pode garantir uma boa colheita.
Com o processo de liberação para a comercialização em andamento, Thomaz espera que seu Azeite Cruz de Malta, nome dado em homenagem à propriedade, seja lançado em breve. Ele revelou que fez todos os investimentos com recursos próprios e busca comprovação da viabilidade da região para o cultivo, o que facilitaria o acesso a crédito.
✨ Atualmente, 69 municípios do Paraná estão aptos a cultivar oliveiras, beneficiados por condições climáticas específicas, como altitude e horas de frio necessárias por ano.
O IDR-Paraná recentemente lançou um boletim técnico em parceria com a Embrapa, que fornece informações vitais sobre os riscos climáticos e os melhores períodos de plantio. Esse documento é crucial para reduzir a falta de informações regionais que afetam a cadeia produtiva.
Além disso, o instituto está buscando a implementação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a olivicultura, um passo que pode abrir portas para novas linhas de crédito para os agricultores. Este será o primeiro zoneamento brasileiro dedicado a essa cultura.
Laís Adamuchio ressalta a importância da produção de azeite de oliva com certificação, indicando que há uma demanda de mercado. Um projeto adicional visa estabelecer uma rota de turismo rural nas áreas de olivicultura, ampliando as oportunidades para o setor.
Atualmente, o Brasil responde por pouco mais de 1% do consumo de azeite no mercado nacional, importando a maior parte de sua demanda de países europeus, Argentina e Chile. Apesar dos desafios, pesquisadores como Marcos Wrege, da Embrapa, acreditam que o Paraná tem zonas com microclimas favoráveis ao cultivo de oliveiras.
Os desafios incluem a necessidade de programas de melhoramento genético, já que o Brasil utiliza material genético europeu, que pode não ser o ideal para o desenvolvimento local. Outro produtor, João Thadeu Loureiro, está expandindo seus 9 hectares de oliveiras e já planeja aumento para 12 hectares no ano que vem, prevendo um potencial ainda maior de produção nos próximos anos.
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