Linhagens de soja tolerantes ajudam a reduzir o impacto de pragas no cultivo

Pesquisadores de instituições brasileiras, como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (Esalq), identificaram quatro linhagens de sementes de soja que oferecem resistência à infestação de percevejos, um problema significativo para a agricultura. O trabalho, que recebeu apoio da Fapesp, foi publicado na revista Pest Management Science.
As linhagens analisadas incluem uma parental tolerante e outra suscetível, além de 12 linhagens recombinantes. As experiências foram realizadas em dois locais distintos: a Fazenda Lageado, em Botucatu, e a Estação Experimental da Esalq em Piracicaba, permitindo que os pesquisadores avaliasssem os impactos de diferentes condições climáticas e de manejo.
"Tentamos trabalhar em dois ambientes que têm certo contraste. Botucatu tem altitude mais elevada e clima mais ameno. Anhumas, altitude mais baixa e ambiente mais quente. Esse contraste é importante para representar a diversidade de regiões onde a soja é cultivada no Brasil.
✨ O estudo afirma que a longevidade das sementes é mais influenciada pela genética do que pelo ambiente, sugerindo que esse fator pode ser um bom indicativo do desempenho em condições adversas.
Os pesquisadores conduziram calor, adubação e controle de plantas daninhas em ambas as áreas. Eles monitoraram os percevejos através de métodos regulares, sendo que a presença de apenas um percebeu por metro quadrado já indicava a necessidade de aplicação de inseticidas.
A presença de percevejos pode resultar em perdas significativas na produção agrícola, afetando até 30% das lavouras de grãos, não apenas de soja. A pesquisa propõe uma abordagem integradora que combina o melhoramento genético e o manejo adequado das pragas.
Os resultados indicaram que enquanto a longevidade estava intimamente ligada a fatores genéticos, aspectos ambientais tinham maior influência nas características de vigor inicial das sementes. Isso reforça a necessidade de um enfoque que considere a interação entre genética e manejo agrícola.
Os especialistas enfatizam a importância de práticas de manejo integrado, onde a resistência genética é complementada com o uso judicioso de inseticidas e outras estratégias, garantindo assim um cultivo sustentável e eficiente.
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