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Agronegócio
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Plínio Nastari destaca impacto dos biocombustíveis na economia agrícola

Economista aponta sinergia entre produção de energia agro e segurança alimentar

Tiago Abech19 de maio de 2026 às 17:15
Plínio Nastari destaca impacto dos biocombustíveis na economia agrícola

Em entrevista ao programa Giro do Boi, Plínio Nastari, CEO da Datagro, analisou a interseção entre biocombustíveis e segurança alimentar, afirmando que a geração de energia no setor agrícola não concorre com a produção de alimentos e, na verdade, impulsiona a produtividade.

Nastari explicou que a transformação de grãos como milho e sorgo em etanol adiciona valor à produção agrícola e libera grandes quantidades de coprodutos, como o DDG. Esses subprodutos contribuem para a redução de custos na engorda do gado e na produção de outras proteínas.

Transformação da Economia Regional

O economista destacou o exemplo do Mato Grosso, onde a instalação de usinas de biocombustíveis revolucionou a economia local. Anteriormente, o preço do milho em Sorriso seguia o valor do porto de Paranaguá, mas, com a crescente demanda das usinas, o preço do grão na região se equiparou ao do porto.

A valorização do milho incentivou os agricultores a adotar práticas de adubação de precisão, gerando um aumento significativo na eficiência produtiva.

Atualmente, a produção de DDG e WDG, resultantes dessa industrialização, sustenta a nutrição de cerca de dez milhões de cabeças de gado, impulsionando a produção de carne bovina, suína, aves e ovos para o mercado externo.

Modelo Brasileiro para a África

Nastari apontou ainda que a África enfrenta dificuldades em segurança alimentar e tem alta dependência de combustíveis fósseis. Ele sugeriu que países como a Nigéria adotem o modelo brasileiro de integração agroindustrial para melhorar sua situação.

A produção local de biocombustíveis pode diminuir a importação de petróleo, aliviando fome estrutural e contribuindo para as ações climáticas.

Desafios para o Produtor Brasileiro

Apesar do potencial do Brasil, Nastari ressaltou os riscos enfrentados pelos produtores, que não contam com subsídios robustos como seus pares nos EUA e Europa. Com a importação de 85% a 90% dos fertilizantes, a situação torna-se desafiadora.

Diante da pressão sobre as margens de lucro da soja e do milho em 2026, a utilização de mecanismos de proteção de preços na Bolsa de Valores (B3) se torna essencial para garantir a viabilidade econômica dos produtores.

Nastari concluiu afirmando que o produtor rural brasileiro é fundamental para a economia nacional e que o Brasil superará os desafios, graças a sua regulação eficiente e recursos naturais.

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