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Agronegócio
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Produção de cogumelos cresce 106% no Paraná em 10 anos

A expansão na produção reflete a transformação agrícola da região.

Tiago Abech05 de junho de 2026 às 07:20
Produção de cogumelos cresce 106% no Paraná em 10 anos

O Paraná destacou-se pela notável ampliação na produção de cogumelos na última década, com um aumento de 106% em 2024 em comparação a 2014, totalizando 982 toneladas colhidas, conforme relatórios do Departamento de Economia Rural (Deral).

Concentração na Região Metropolitana

A maior parte da produção se concentra na região metropolitana de Curitiba, especialmente em São José dos Pinhais e Tijucas do Sul, onde está localizada a Cooperativa Agroindustrial de Produtores de Cogumelos e Demais Produtos de Tijucas do Sul e Região (Coopertijucas). Esta cooperativa, criada em 2012, surgiu em resposta à necessidade de escoamento da produção local.

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A cooperativa facilitou a comercialização e começou a motivar outros agricultores a se envolverem na produção

Sérgio de Oliveira Brito, presidente da cooperativa.

Atualmente, entre 80 a 100 cultivadores na região trabalham com cogumelos, incluindo muitos agricultores familiares.

Os agricultores da região produzem entre 10 e 12 toneladas mensalmente, sendo que 70% da produção é in natura. O restante é vendido para o Ceasa de Curitiba e distribuído para supermercados e outros canais de venda.

Transformação agrícola

Historicamente, a área de Tijucas do Sul era conhecida pela produção de fumo, mas muitos agricultores transformaram suas estufas de secagem de tabaco para o cultivo de cogumelos, se adaptando às novas demandas do mercado.

Sérgio Brito, um paulista que se mudou para Tijucas do Sul há 15 anos, ficou fascinado com o cultivo de cogumelos. "Embora houvesse pouca experiência, mergulhei de cabeça na atividade após retornar ao Brasil em 2011," recorda.

Ele começou com uma estufa destinada à produção de champignon de Paris e hoje conta com quatro estufas, somando cerca de 30 toneladas anuais.

A rentabilidade é atraente, variando entre R$ 5.000 e R$ 6.000 por estufa, mas a assistência técnica é escassa e a desistência entre novos produtores é alta.

Brito alerta que a cultura requer cuidados detalhados, como controle rigoroso de temperatura e umidade, e conhecimento sobre o momento certo de colheita. O investimento inicial em uma estufa climatizada pode oscilar entre R$ 40 mil a R$ 50 mil, com um retorno esperado em até três anos.

Concorrência e desafios

O maior desafio encontrado por produtores locais é a concorrência com a China, que inunda o mercado brasileiro com conservas de champignon a preços inferiores, dificultando a competitividade dos produtos nacionais.

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O cogumelo se popularizou, mas muitos consumidores acabam optando pelo produto chinês, que embora menos qualificado, é mais acessível

Sérgio de Oliveira Brito.

Diante disso, a cooperativa tem investido em tecnologia para aprimorar sua produção e aumentar a eficiência na entrega de produtos de qualidade.

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