Semeadura de trigo no RS começa de forma tímida, alertam agricultores
Produtores enfrentam desafios com aumento de custos e incertezas climáticas

A semeadura do trigo no Rio Grande do Sul teve início, mas de forma bastante restrita, conforme o Zoneamento Agrícola que foi aberto para as principais variedades cultivadas no estado. Isso foi revelado pelo Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na última quinta-feira.
Condições de tempo seco têm favorecido atividades de manejo, como a dessecação e a implementação das primeiras áreas com a cultura. Contudo, os agricultores demonstram cautela devido aos custos de produção elevados, dificuldades no crédito rural e incertezas climáticas decorrentes do fenômeno El Niño, que pode afetar a primavera e o inverno.
✨ Em previsão, a Emater/RS-Ascar aponta uma possível diminuição de 20% na área cultivada com trigo em relação à safra anterior.
A expectativa de rentabilidade menor e a migração para outras culturas de inverno, como canola e aveia, também influenciam essa redução. O relatório indicou ainda uma diminuição no nível tecnológico das lavouras, com um aumento na utilização de sementes próprias em comparação com a demanda por sementes fiscalizadas.
"A demanda por sementes fiscalizadas ainda se mantém baixa, enquanto as cooperativas acumulam estoques, com um notável uso de sementes salvas nas propriedades,” informa o boletim.
Dados sobre a Safra
Em 2025, o RS cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com uma produtividade média de 2.968 quilos por hectare, totalizando 3,45 milhões de toneladas, segundo o IBGE.
Embora a semeadura tenha começado na região de Bagé, com um clima seco favorecendo o plantio, a cidade de São Borja enfrenta dificuldades por conta de chuvas excessivas em abril, que dificultaram a antecipação do plantio. Na região de Ijuí, os agricultores ainda estão controlando plantas espontâneas, enquanto esperam decisões sobre o tamanho da área cultivada.
As plantas de cobertura estão apresentando bom desenvolvimento, destacando-se o nabo-forrageiro, enquanto em Santa Rosa, a semeadura avança lentamente, atingindo apenas 1% da área planejada, principalmente entre agricultores com menor dependência de financiamentos.
Com essas condições, há uma tendência de que aqueles que optarem por continuar o cultivo de trigo diminuam os investimentos tecnológicos ao longo da safra.
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