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Estudo sobre Terra Preta Revela Potencial de Crescimento para Ipê-Roxo no Amazonas

Pesquisa indica que a aplicação de solo ancestral pode impulsionar o desenvolvimento de espécies nativas.

Gabriel Rodrigues29 de março de 2026 às 10:15
Estudo sobre Terra Preta Revela Potencial de Crescimento para Ipê-Roxo no Amazonas

Uma pesquisa assessorada pela Fapesp mostrou que a adição da 'terra preta da Amazônia' (TPA) resulta em um aumento significativo no crescimento de plantas. O estudo revelou que, em condições controladas, o ipê-roxo (Handroanthus avellanedae) pode crescer até 55% em altura e 88% em diâmetro quando utilizado esse solo, também encontrado na Mata Atlântica.

Resultados Impressivos com Terra Preta

Outro exemplo notável foi observado com o paricá (Schizolobium amazonicum), que apresentou aumentos de 20% em altura e 15% em diâmetro após os primeiros 180 dias de cultivo, em comparação com espécimes que não receberam o tratamento com terra preta. As conclusões foram publicadas na revista BMC Ecology and Evolution.

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O que fez a diferença não foram os nutrientes, mas a diversidade de microrganismos, principalmente os fungos. A terra preta promove uma reorganização da microbiota em torno das raízes, favorecendo microrganismos benéficos e inibindo patógenos

Anderson Santos de Freitas.

Terra Preta é resultado da combinação de antiga prática indígena e matéria orgânica.

Contexto

As terras pretas são formadas pela decomposição de materiais orgânicos e práticas de fogo usadas por populações pré-colombianas, e continuam a ser criadas por comunidades atuais.

Essas terras contêm um conjunto diverso de organismos que facilitam a absorção de nutrientes pelas plantas, sendo um terreno fértil. Conforme elucidado pela pesquisa, as TPAs ainda atuam na prevenção de organismos patogênicos, criando um ambiente ideal para o crescimento saudável das plantas.

A Importância da Pesquisa

A equipe de pesquisadores, liderada por Tsai, tem explorado as terras pretas por mais de duas décadas. O intuito é identificar as melhores práticas para promover o crescimento de árvores em áreas que foram degradadas. A investigação é fundamental, já que o desmatamento e o mau manejo do solo levam à rápida perda de nutrientes e microrganismos vitais.

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Nosso objetivo é restaurar as florestas e a biodiversidade, permitindo a recuperação dos serviços ecossistêmicos

Tsai.

As terras pretas são protegidas por legislações específicas e regulamentadas pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), com supervisão do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O uso experimental da TPA em pequenos volumes é regulamentado, visando aprofundar o conhecimento sobre suas características e potenciais benefícios.

Metodologia do Estudo

As mudas foram plantadas em campo após serem cultivadas em viveiro, recebendo apenas a água da chuva. As mudas que receberam TPA demonstraram um desempenho superior em crescimento.

No experimento, embora o paricá não tenha apresentado crescimento tão acentuado quanto o ipê-roxo, atingiu aproximadamente 1,5 metro após 180 dias. Observou-se que a diversidade de fungos aumentou significativamente no solo tratado com TPA, evidenciando o impacto positivo dessa prática.

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