Projeto transforma vida de 30 famílias indígenas no RN
Iniciativa foca em apicultura e energia solar após melhorias na água

Um valioso projeto em João Câmara, Rio Grande do Norte, está promovendo mudanças significativas na vida de 30 famílias de comunidades indígenas e assentamentos rurais. A iniciativa, apoiada pelas empresas CPFL Energia e State Grid em parceria com o Sebrae, tem como foco a ampliação do acesso à água e a introdução de novas atividades sustentáveis.
Inicialmente, a ação se concentrou na reestruturação hídrica, que possibilitou o acesso à água potável. Após constatar a vulnerabilidade das comunidades, a proposta evoluiu, incluindo apicultura, meliponicultura, quintais produtivos e geração de energia solar em coletivos a partir de 2024.
✨ A chegada da água potável foi um divisor de águas para a região, permitindo a implementação de diversas atividades sustentáveis.
Rodolfo Sirol, diretor de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Grupo CPFL, ressalta que a sabedoria local foi crucial ao desenvolver o projeto. João Batista, agricultor e apicultor com 63 anos, também compartilha sua experiência, contando como o acesso à água permitiu a construção de poços e sistemas hidráulicos, solucionando uma necessidade crucial da comunidade.
Capacitação e oportunidades de negócio
Os treinamentos oferecidos pelo Sebrae foram fundamentais para capacitar os moradores nas práticas apícolas. Com 18 meses de oficinas focadas em manejo de abelhas e manutenção de apiários, os participantes puderam aplicar o conhecimento adquirido em suas rotinas.
João Batista, que participa ativamente dos encontros, destaca a importância do aprendizado. Outros moradores, como José Junior e Carlos Antônio, também compartilharam suas experiências de aprendizado sobre apicultura, reconhecendo o apoio contínuo dos consultores do Sebrae.
✨ O aprendizado virou parte essencial do dia a dia, com reuniões frequentes e troca de experiências entre os participantes.
Além de gerar mel, algumas famílias estão fabricando e vendendo as próprias caixas, abrindo novas oportunidades de renda. A produção de mel agora se mostra uma alternativa viável e complementar à tradicional atividade de coleta da castanha.
Impacto na economia familiar
Os resultados financeiros são animadores. João Batista relata que já colheu mel três vezes, obtendo cerca de 70 quilos e R$ 1.500 em vendas. José Junior, por sua vez, disse que a renda da família saltou de R$ 400 para R$ 2.000 desde que se juntou ao projeto, comprovando a força do mel como uma fonte complementar de lucro.
Sirol enfatiza que o potencial de renda gerado pela apicultura pode equivaler a até metade ou mais dos ganhos com a castanha, embora essa atividade exija bom planejamento financeiro devido à sazonalidade das colheitas.
✨ A atividade de apicultura surge como uma alternativa promissora e estruturante para a economia local.
Desafios na comercialização
Apesar do sucesso nas colheitas, a comercialização do mel apresenta desafios. Carlos Antônio aponta a falta de organização coletiva como uma barreira significativa, resultando em preços variados que dificultam as vendas.
Contudo, ele e outros agricultores acreditam no potencial da apicultura, que já se tornou uma peça-chave no sustento das famílias, mesmo com as dificuldades de mercado.
O projeto visa fortalecer a agricultura local e garantir que o mel complemente a produção tradicional, sem substituí-la, assegurando assim um aumento real na renda das comunidades envolvidas.
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