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Projeto transforma vida de 30 famílias indígenas no RN

Iniciativa foca em apicultura e energia solar após melhorias na água

Giovani Ferreira27 de junho de 2026 às 07:35
Projeto transforma vida de 30 famílias indígenas no RN

Um valioso projeto em João Câmara, Rio Grande do Norte, está promovendo mudanças significativas na vida de 30 famílias de comunidades indígenas e assentamentos rurais. A iniciativa, apoiada pelas empresas CPFL Energia e State Grid em parceria com o Sebrae, tem como foco a ampliação do acesso à água e a introdução de novas atividades sustentáveis.

Inicialmente, a ação se concentrou na reestruturação hídrica, que possibilitou o acesso à água potável. Após constatar a vulnerabilidade das comunidades, a proposta evoluiu, incluindo apicultura, meliponicultura, quintais produtivos e geração de energia solar em coletivos a partir de 2024.

A chegada da água potável foi um divisor de águas para a região, permitindo a implementação de diversas atividades sustentáveis.

Rodolfo Sirol, diretor de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Grupo CPFL, ressalta que a sabedoria local foi crucial ao desenvolver o projeto. João Batista, agricultor e apicultor com 63 anos, também compartilha sua experiência, contando como o acesso à água permitiu a construção de poços e sistemas hidráulicos, solucionando uma necessidade crucial da comunidade.

Capacitação e oportunidades de negócio

Os treinamentos oferecidos pelo Sebrae foram fundamentais para capacitar os moradores nas práticas apícolas. Com 18 meses de oficinas focadas em manejo de abelhas e manutenção de apiários, os participantes puderam aplicar o conhecimento adquirido em suas rotinas.

João Batista, que participa ativamente dos encontros, destaca a importância do aprendizado. Outros moradores, como José Junior e Carlos Antônio, também compartilharam suas experiências de aprendizado sobre apicultura, reconhecendo o apoio contínuo dos consultores do Sebrae.

O aprendizado virou parte essencial do dia a dia, com reuniões frequentes e troca de experiências entre os participantes.

Além de gerar mel, algumas famílias estão fabricando e vendendo as próprias caixas, abrindo novas oportunidades de renda. A produção de mel agora se mostra uma alternativa viável e complementar à tradicional atividade de coleta da castanha.

Impacto na economia familiar

Os resultados financeiros são animadores. João Batista relata que já colheu mel três vezes, obtendo cerca de 70 quilos e R$ 1.500 em vendas. José Junior, por sua vez, disse que a renda da família saltou de R$ 400 para R$ 2.000 desde que se juntou ao projeto, comprovando a força do mel como uma fonte complementar de lucro.

Sirol enfatiza que o potencial de renda gerado pela apicultura pode equivaler a até metade ou mais dos ganhos com a castanha, embora essa atividade exija bom planejamento financeiro devido à sazonalidade das colheitas.

A atividade de apicultura surge como uma alternativa promissora e estruturante para a economia local.

Desafios na comercialização

Apesar do sucesso nas colheitas, a comercialização do mel apresenta desafios. Carlos Antônio aponta a falta de organização coletiva como uma barreira significativa, resultando em preços variados que dificultam as vendas.

Contudo, ele e outros agricultores acreditam no potencial da apicultura, que já se tornou uma peça-chave no sustento das famílias, mesmo com as dificuldades de mercado.

O projeto visa fortalecer a agricultura local e garantir que o mel complemente a produção tradicional, sem substituí-la, assegurando assim um aumento real na renda das comunidades envolvidas.

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