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Tilápia pode ser listada como espécie exótica invasora no Brasil

Reunião da Conabio avalia impacto para setor produtivo

Gabriel Azevedo28 de maio de 2026 às 01:00
Tilápia pode ser listada como espécie exótica invasora no Brasil

A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) iniciou, em Brasília, nesta quarta-feira (27), uma reunião que analisará a inclusão da tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras. A discussão se estenderá até a tarde da quinta-feira (28) e já gerou polêmica entre os setores envolvidos.

Os representantes da indústria de aquicultura temem que a classificação da tilápia como invasora possa impactar negativamente suas atividades produtivas, apesar de garantias do governo federal de que não haverá proibição para o cultivo da espécie. Atualmente, a tilápia responde por 65% da produção aquícola do país, e o Brasil ocupa a quarta posição no ranking global de produção da espécie.

Em 2025, o Brasil produziu 707.495 toneladas de tilápia, um aumento de 6,83% em relação ao ano anterior.

A tilápia e sua classificação como espécie invasora

Flávia Tavares, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, explica que, embora a tilápia seja uma espécie exótica, isso não necessariamente a classifica como invasora em todo o território nacional. Segundo ela, uma espécie é considerada invasora quando se estabelece em novos ambientes, sobrevive, se reproduz e causa impactos significativos sobre a biodiversidade nativa.

A pesquisa revela que a tilápia está presente em vários ambientes hídricos do Brasil, mas os impactos variam significativamente conforme a região.

Ela argumenta que a avaliação da tilápia deve ser regionalizada, levando em conta a bacia hidrográfica e as condições ambientais locais. Tavares destaca que ambientes já alterados, como reservatórios, não devem ser tratados da mesma forma que ecossistemas naturais.

Francisco Medeiros, da Associação Brasileira da Piscicultura, também refuta a ideia de classificar a tilápia como invasora. Ele compara a tilápia a outras espécies exóticas amplamente aceitas no agronegócio, como suínos e aves, e também aponta que a maioria dos alimentos consumidos no Brasil são de origem exótica.

Medeiros expressa preocupação com a perspectiva de que a tilápia seja tratada como espécie invasora, especialmente após o Ibama ter classificado o pirarucu sob essa lógica, o que pode impactar a viabilidade econômica da piscicultura no país.

Impactos da inclusão na lista

Se a tilápia for oficialmente incluída na lista de espécies exóticas invasoras, a associação prevê uma queda nas exportações, uma vez que nenhum país aceita exportar espécies consideradas prejudiciais ao ambiente. Isso também resultaria em complicações financeiras para o setor agrícola, impactando empréstimos e pesquisas relacionadas à espécie.

O Ministério do Meio Ambiente, por outro lado, enfatiza que a inclusão da tilápia na lista não acarretará na proibição de seu cultivo no país, assegurando que a atividade é de grande importância econômica e está consolidada no Brasil.

Contexto

O debate sobre a tilápia como espécie invasora levanta questões sobre a biodiversidade e a produção aquícola no Brasil, reforçando a necessidade de abordagens equilibradas e informadas sobre a introdução de espécies exóticas.

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