Movimento busca validar práticas religiosas no atendimento psicológico

Um novo alvo dos fundamentalistas religiosos emergiu: Sigmund Freud e os princípios da psicanálise. Influenciadores e políticos neopentecostais têm promovido uma campanha contra a abordagem psicológica secular, alegando que a verdadeira cura emocional deve ser fundamentada na fé cristã.
✨ “Nenhuma técnica psicológica deve ignorar o poder da fé em Jesus”, afirma o pastor Rodrigo Mocellin.
Ao discorrer sobre a 'psicologia cristã', o pastor destaca que angústias e conflitos enfrentados pelos indivíduos devem ser tratados sob a ótica da crença, questionando as mais de 500 abordagens psicológicas disponíveis que não incluem Jesus como fonte de cura. Esse discurso se intensifica nas redes sociais, onde sua influência atinge quase 700 mil inscritos no YouTube.
No cenário político, o senador Magno Malta apresentou um projeto de resolução que visa estabelecer uma Frente Parlamentar para defender a liberdade religiosa dos psicólogos cristãos e revogar a Resolução 07 de 2023 do Conselho Federal de Psicologia. Essa resolução proíbe o uso de métodos religiosos em atendimentos psicológicos.
O relator do projeto, Eduardo Girão, propõe um debate sobre a inclusão da psicologia cristã como uma especialidade, embora o CFP já tenha reiterado que sua normativa se baseia em orientações científicas, não religiosas. Ivani Oliveira, presidente do CFP, defende que a prática da psicologia deve ser laica e não deve se confundir com a doutrinação religiosa.
Críticos como Rebeca Maciel, evangélica e doutora em Psicologia Social, relatam experiências prejudiciais em atendimentos que misturaram dogmas religiosos com terapia, causando mais sofrimento aos pacientes. Segundo ela, a inserção de ideais religiosos nas sessões de terapia pode ser prejudicial e intensificar os traumas.
Essas práticas têm gerado uma crescente preocupação entre especialistas, que veem movimentos religiosos buscando dominar a saúde mental. Maciel alerta para o financiamento de cursos de Psicologia por igrejas evangélicas, com o intuito de treinar profissionais que propaguem fundamentos religiosos em clínicas.
A discussão em torno da psicologia cristã também levanta questões sobre a cooptação do discurso religioso em quê casos de saúde mental, especialmente quando pacientes são encaminhados para comunidades terapêuticas religiosas ao invés de serviços especializados.
"A instrumentalização da fé no tratamento psicológico pode resultar em iatrogenia, onde a intervenção agrava o sofrimento do paciente
Historiadores e acadêmicos observam que esse movimento reflete uma luta cultural mais ampla no Brasil, atingindo direto o campo da Psicologia, especialmente em instituições públicas.
✨ “A psicologia deve ser um espaço de mediação da subjetividade, mas se transforma em um campo de batalha entre crenças e ciências”, conclui Maciel.
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Jornalista especializado em Cultura & Entretenimento

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