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Cultura
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Morre Carlo Ginzburg, ícone da micro-história, aos 87 anos

Historiador italiano deixa legado na análise da cultura popular

Carlos Silva17 de junho de 2026 às 12:40
Morre Carlo Ginzburg, ícone da micro-história, aos 87 anos

O renomado historiador italiano Carlo Ginzburg faleceu aos 87 anos, conforme anunciou sua filha nesta quarta-feira, 17. Em uma postagem no Instagram, Lisa Ginzburg prestou homenagem ao pai com a mensagem: 'Adeus, pai'.

Ginzburg foi um dos principais representantes da 'micro-história', uma abordagem que busca entender eventos históricos a partir de perspectivas mais específicas, questionando narrativas históricas mais amplas, como as propostas pelo marxismo.

Renomado por suas pesquisas sobre a cultura popular e julgamentos por bruxaria na Itália, Ginzburg deixou um legado significativo para a historiografia.

Durante sua carreira, o historiador abordou uma variedade de temas, desde a magia nas crenças renascentistas até a história intelectual da Europa. Ele lecionou em instituições prestigiadas, como a Universidade de Bolonha e a Universidade da Califórnia (UCLA).

Além de sua obra acadêmica, Ginzburg se destacou pelo ativismo ao lado de outros intelectuais, defendendo o jornalista de extrema esquerda Adriano Sofri, que foi condenado pelo assassinato de um delegado de polícia em 1972. Após anos de reviravoltas judiciais, Sofri recebeu uma pena de 22 anos em 1997, sendo liberado em 2012.

Em 1991, Ginzburg publicou um livro sobre o primeiro julgamento de Sofri, no qual criticava o sistema judicial e traçava conexões com processos de bruxaria do século XVI, fortalecendo suas premissas sobre as falhas do judicial.

Carlo Ginzburg nasceu em 15 de abril de 1939, em Turim. O ambiente familiar o influenciou, já que sua mãe, Natalia Ginzburg, foi uma respeitada romancista e tradutora, enquanto seu pai, Leone Ginzburg, era um professor de literatura russa e militante antifascista, que perdeu a vida durante a Segunda Guerra Mundial, quando Carlo tinha apenas cinco anos.

O historiador se formou na Scuola Normale de Pisa, onde obteve doutorado em Filosofia e publicou, em 1976, sua obra mais icônica, 'Il formaggio e i vermi' (O Queijo e os Vermes). Este livro, amplamente traduzido, teve um impacto profundo ao reconstruir a cosmovisão de um moleiro do século XVI de Friuli, na Itália.

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