Natalia Timerman explora memória e esquecimento em Antes Que Apague
Romance investiga os laços familiares e a escrita como reflexo da vida

Em seu novo romance, 'Antes Que Apague', a autora Natalia Timerman coloca em cena a incerteza da narradora sobre a saúde de sua mãe, que enfrenta o Alzheimer. A obra, publicada pela Companhia das Letras, explora a urgência de preservar memórias em meio ao apagar de lembranças.
A luta pela memória
Timerman apresenta uma narradora lúcida, que luta para ser a guardiã das memórias familiares, compartilhando suas angústias e reflexões sobre não ter compreendido a mãe a tempo. Esta busca revela os laços complexos entre amor e ressentimento que permeiam suas recordações.
✨ 'Escrevo para você, mãe; contra você. Também por você.'
Ficção e autoficção
Embora a autora e a narradora compartilhem experiências como psiquiatras e escritoras, 'Antes Que Apague' não se coloca apenas no campo da autoficção. A obra se distancia das abordagens de autores como Annie Ernaux, propondo uma ficção que busca questionar a natureza da escrita e do registro pessoal.
Memória x Esquecimento
Com uma epígrafe da escritora argentina Sylvia Molloy, o romance também reflete sobre o que acontece quando as memórias começam a se desvanece. O diálogo entre a escrita e a memória revela a luta compartilhada por ambos os autores na busca por significado em experiências comuns.
Embora 'Antes Que Apague' tenha uma narrativa sensível e momentos tocantes, a autora às vezes recorre a clichês que podem diluir a força do texto. A presença de certas referências pode aparentar desconexão com a temática central, desafiando o foco emocional da obra.
O livro reafirma o que é a literatura no século XXI, revelando suas camadas e processos. A metaficção apresentada por Timerman oferece um campo fértil para expandir a reflexão sobre os laços familiares, a escrita e a identidade, marcando presença no contemporâneo.
Outras leituras
Por fim, a crítica também menciona outras obras do cenário literário contemporâneo, como 'Traição da Minha Língua' de Camila Sosa Villada, e 'O Lago da Criação' de Rachel Kushner, que abordam de maneira singular suas relações familiares e contextos sociais.
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