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Cultura
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Pasquim São Paulo: uma memória do humor na redemocratização

Relembrando a importância do semanário em um Brasil em transformação

João Pereira09 de junho de 2026 às 06:00
Pasquim São Paulo: uma memória do humor na redemocratização

Em 1986, o cartunista Jaguar fez uma proposta inusitada: liderar uma versão paulista de O Pasquim, aclamado tabloide carioca. Com a colaboração de Fernando Gasparian, ex-chefe do Opinião, o semanário trouxe novas vozes e abordagens num momento decisivo para o Brasil, que se preparava para a redemocratização.

O nascimento de uma nova era

Assim, surgiu o Pasquim São Paulo, e o jornalista Manoel Canabarro, cunhado de Jaguar, assumiu a direção editorial do periódico. Com uma circulação de 56 edições, entre julho de 1986 e agosto de 1987, o semanário se destacou durante o governo Sarney e o auge do Plano Cruzado, quando o país respirava novos ares após anos de ditadura.

O Pasquim São Paulo reuniu grandes nomes, como Alberto Dines, Mino Carta e Angeli, fortalecendo o cenário editorial da época.

Capa emblemática e polêmicas internas

A edição número 4, de 24 a 31 de julho de 1986, destacou-se com uma ilustração icônica de Laerte. O cartum, que mostrava um galo de calça segurando um pintinho, acompanhava uma crítica social através do 'Manifesto Masculinista', que abordava questões como a licença-paternidade e a igualdade nas responsabilidades domésticas.

No entanto, nem tudo foi harmonia. A rivalidade entre Alberto Dines e Fernando Morais sobre a política local originou conflitos que culminaram na frustração de publicar uma nova réplica nas páginas do semanário. Essa situação foi tão séria que decidimos divulgar um editorial com o título 'Censura no Pasquim', e Dines, insatisfeito, moveu um processo contra nós, que resultou em vitória para o Pasquim.

O legado de uma edição encerrada

Embora o semanário tenha temporariamente superado a revista Veja em algumas semanas, não conseguiu se manter financeiramente estável. Após uma festa de aniversário e a venda de uma coletânea, encerramos suas atividades, com a última edição trazendo a simples palavra 'ADEUS!' em letras grandes.

O acervo digitalizado de O Pasquim São Paulo revive uma época de mudança e renovação no Brasil, refletindo a luta por liberdade de expressão.

Hoje, quase quatro décadas depois, o conteúdo preservado do Pasquim São Paulo nos permite lembrar de um Brasil em transformação, que se mobilizava por mais justiça e democracia, enquanto as pessoas ainda buscavam jornais de opinião e humor nas bancas.

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