UFRJ entrega diploma póstumo a Stuart Angel Jones, vítima da ditadura
Cerimônia acontece no Salão Dourado da universidade

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizará a entrega do diploma póstumo a Stuart Angel Jones, estudante vítima da repressão militar. A cerimônia acontecerá nesta terça-feira, 7, no Salão Dourado da instituição.
Stuart, que foi sequestrado, torturado e morto por agentes da ditadura em 1971, será homenageado pelo Centro Acadêmico Stuart Angel, ligado ao departamento de Economia da UFRJ. Ele tinha apenas 25 anos e era membro do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), que lutava contra o regime militar da época.
✨ Homenagem destaca a importância da memória e luta pela democracia.
Na época, Stuart foi preso sob a suspeita de envolvimento no sequestro do embaixador americano Charles Elbrick. A detenção dele estava relacionada à busca por informações sobre Carlos Lamarca, líder guerrilheiro que também fazia parte do MR-8. Apesar das torturas que sofreu, Stuart nunca entregou informações aos militares.
Contexto histórico
Durante a ditadura militar (1964-1985), muitos opositores foram perseguidos e torturados, resultando na morte de centenas de ativistas e na cultura de impunidade e silêncio que se seguiu.
Os agentes de repressão que o prenderam eram parte do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica, um dos principais órgãos de tortura da época. Stuart foi considerado desaparecido até que um amigo próximo confirmou sua morte, que ocorreu na Base Aérea do Galeão.
A mãe de Stuart, Zuzu Angel, também foi uma conhecida estilista e ativista, assassinada em um acidente de carro causado por agentes da ditadura em 1976, enquanto se dirigia pelo túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, enfatizou que a história de Stuart Angel é um símbolo da luta democrática no Brasil. Ele afirmou: 'Stuart foi arrancado de sua família e torturado. Esperamos que seu legado inspire futuras gerações a se empenharem pela democracia e justiça social.'
Em 2019, o Estado brasileiro alterou o atestado de óbito de Stuart Angel, reconhecendo oficialmente que sua morte foi provocada pelo Estado, inserindo seu nome na lista de milhares de desaparecidos políticos durante a ditadura.
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