População se mobiliza contra o alto endividamento e juros abusivos

Eliana Yaynes e Iván Venencio se conheceram durante um programa de rádio onde discutiam o amplo endividamento no Brasil. Atualmente, mais de 20 milhões de argentinos lutam com suas dívidas, tornando-se um problema social grave.
Com uma população de aproximadamente 46 milhões, isso significa que um em cada três cidadãos enfrenta dificuldades financeiras devido a empréstimos feitos com bancos, fintechs, lojas ou agiotas, conforme revela a consultoria Analytica.
✨ Cerca de 6 milhões de argentinos estão em situação de inadimplência.
No dia 20 de agosto, a Praça de Maio em Buenos Aires foi palco de uma manifestação contra o endividamento. Os protestantes pediram intervenções do governo do presidente Javier Milei, que se mostrou indiferente, classificando o aumento das dívidas como uma questão privada.
Durante uma entrevista, Milei até questionou se os devedores foram forçados a contrair dívidas, desencadeando reações negativas entre a população.
Eliana, que presta contas de dívidas acumuladas, destaca a desumanização sentida por pessoas que não se endividaram por opção, mas por necessidade. "É triste pensar que acreditam que esse é um capricho", desabafa.
Por outro lado, Ivan compartilha suas dificuldades, incluindo a perda de um emprego e o aumento da carga financeira ao longo dos meses, o que os levou a contrair empréstimos adicionais.
O diretor do Centro de Economia Política Argentina, Hernán Letcher, aponta que a grande preocupação não é apenas o número de devedores, mas a quantidade de pessoas com dívidas em atraso. Cerca de 55% dos devedores estão a mais de 90 dias de atraso em seus pagamentos.
✨ Taxas de juros abusivas aumentam a pressão sobre os devedores.
Enquanto os devedores clamam por soluções, o governo hesita em agir. O secretário de Segurança na província de Buenos Aires mencionou o aumento da violência relacionada a dívidas, com assaltos e ameaças se tornando comuns entre aqueles que tomam empréstimos ilegais.
As fintechs, que oferecem crédito com facilidade, muitas vezes cobram taxas exorbitantes, tornando impossível para os devedores liquidarem seus débitos sem contrair mais dívidas.
O cenário econômico argentino é marcado por altos níveis de endividamento e um sistema de juros desregulado, levando famílias ao desespero. Tornou-se comum que pessoas se endividem para cobrir gastos de vida essenciais.
Fernando Moyano, porta-voz do grupo Endividadxs Organizadxs, pede em nome dos devedores que o governo declare estado de emergência por conta da crise de crédito. Sua tentativa de mobilização pela mudança enfrenta resistência.
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Jornalista especializado em economia

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