Voltar
economia
3 min de leitura

Crescimento da China alcança 5% em meio a tensões no Oriente Médio

O PIB da segunda maior economia do mundo surpreende em um cenário mundial conturbado.

Fernanda Lima16 de abril de 2026 às 06:50
Crescimento da China alcança 5% em meio a tensões no Oriente Médio

Dados oficiais revelaram que a economia da China cresceu 5% no primeiro trimestre de 2026, superando as expectativas em um momento em que os mercados monitoram com atenção as implicações da guerra no Oriente Médio.

O crescimento veio à tona em meio a um aumento acentuado nos preços globais de energia, resultado do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Essa guerra impactou significativamente o tráfego no Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de 20% do petróleo e gás natural mundial, levando a um bloqueio prático da via pelo Irã e afetando o comércio entre a China e o Oriente Médio.

China apresentou um crescimento anual de 5%, conforme anunciado pelo ONE.

De acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONE), o PIB da China, a segunda maior economia do planeta, superou a previsão de 4,8% feita por economistas. O ONE destacou que a economia mostrando um forte início de ano evidencia sua resiliência e vigor.

Entretanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas previsões de crescimento mundial para 2026, reduzindo as expectativas devido à instabilidade no Oriente Médio. O impacto da crise energética foi absorvido pela China de maneira mais eficaz em relação a outros países asiáticos, em parte graças às suas reservas estratégicas de petróleo e à diversificação das fontes de abastecimento.

Desafios econômicos persistem

Apesar do crescimento, a China mantém uma meta de crescimento anual de 4,5% a 5%, a menor em décadas. O país enfrenta uma crise no setor imobiliário, uma alta taxa de desemprego jovem e uma redução no consumo interno, resultando em uma dependência das exportações para atingir suas metas econômicas.

Crescimento das exportações da China desacelerou em março.

Recentemente, o FMI revisou sua previsão de crescimento da China para 2026 para 4,4%, ligeiramente abaixo da meta governamental. Em um relatório, o ONE comunicou que as vendas no varejo, um indicador significativo do consumo, cresceram apenas 1,7% em março, abaixo da expectativa de 2,4% dos analistas.

Embora a produção industrial tenha registrado um aumento anual de 5,7%, superando a expectativa de 5,3%, ainda assim ficou aquém do crescimento de 6,3% de janeiro e fevereiro.

O crescimento do PIB no primeiro trimestre foi fortemente impulsionado por exportações, construção e indústria, enquanto a demanda interna permaneceu fraca. A analista Zichun Huang, da consultoria Capital Economics, alertou que a economia chinesa está cada vez mais dependente de fatores externos e que a guerra no Irã poderá acentuar essa situação.

Participantes da Feira de Guangzhou, a maior feira comercial da China, expressaram preocupações sobre o impacto da guerra em seus negócios, incluindo uma redução em pedidos e aumento nos custos de transporte. O governo da China reconheceu as incertezas e instabilidades no ambiente econômico global.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de economia