Financiamento do agronegócio permanece estável, mas com queda em CPR e LCA
Financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,4 trilhão em março de 2026

O financiamento privado no setor agrícola brasileiro manteve-se em R$ 1,4 trilhão em março, apresentando pequenas oscilações em comparação a fevereiro, conforme indicado pelo Boletim de Finanças Privadas do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Analisando os dados mensais, as Cédulas de Produto Rural (CPR) sofreram uma leve redução, passando de R$ 561,35 bilhões para R$ 560,19 bilhões. A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) também revelava uma queda, caindo de R$ 588,21 bilhões para R$ 583,36 bilhões. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) registraram uma diminuição de R$ 176,94 bilhões para R$ 176,43 bilhões.
Por outro lado, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) apresentaram um leve incremento, subindo de R$ 32,26 bilhões para R$ 32,34 bilhões. Apesar dessa desaceleração, os dados anuais indicam um cenário elevado.
✨ A CPR cresceu 17% em relação a março de 2025, enquanto a LCA avançou 6% no mesmo período.
O total de R$ 350,01 bilhões em LCAs está destinado ao financiamento rural na safra atual, respeitando a exigência de que pelo menos 60% das captações sejam aplicadas em operações de crédito rural, sendo que R$ 157,51 bilhões destes valores devem ser investidos obrigatoriamente para esse fim.
Destaca-se que a CPR continua sendo o principal componente do financiamento no setor, com um aumento significativo em seu saldo de operações, que subiu de R$ 477,34 bilhões em março de 2025 para R$ 560,19 bilhões em março de 2026. O número de operações atingiu 402 mil, representando um crescimento de 12% em um ano.
Na safra 2025/2026, as transações em CPR totalizaram R$ 283,66 bilhões, uma queda de 5% em comparação ao ciclo anterior, porém ainda 50% superior ao que foi observado na safra de 2023/2024. Além disso, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) vêm se expandindo, contribuindo para a manutenção do alto nível de financiamento privado, considerando que seu patrimônio aumentou de R$ 48,35 bilhões em janeiro para R$ 56,98 bilhões em fevereiro, marcando um crescimento de 29% em 12 meses.
O ambiente de juros elevados tem limitado o ritmo do crescimento dos instrumentos privados, enquanto as restrições fiscais diminuem a capacidade de expansão do crédito subsidiado. Mesmo assim, o montante total de financiamento continua elevado, refletindo uma mudança estrutural em direção a uma maior dependência do mercado de capitais.
Importante
Cabe dizer que o valor agregado não representa o total líquido do financiamento privado, já que existe sobreposição entre os instrumentos, sendo que a CPR pode servir de lastro para outros títulos, resultando em contagens duplicadas.
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