Lula e Trump promovem avanços nas relações comerciais
Encontro entre líderes reduz tensões diplomáticas entre Brasil e EUA

O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em Washington na quarta-feira (7), representa um avanço significativo na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, conforme indicado pelo Indicador de Comércio Exterior (Icomex).
De acordo com uma análise divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) na última sexta-feira (15), o evento ajudou a mitigar os chamados "ruídos diplomáticos permanentes" entre as nações, mas não elimina as discussões técnicas que ainda precisarão ser abordadas por equipes de ambos os governos.
✨ Normalização das relações entre Brasil e EUA é crucial, mas com riscos externos ao comércio.
Embora a melhoria no diálogo seja um passo importante, o Icomex observa que o comércio exterior brasileiro continua sujeito ao cenário internacional. Um dos pontos críticos destacados é a relação entre Estados Unidos e China, que também se intensificou recentemente com a reunião de Trump e Xi Jinping.
A FGV adverte que uma possível redução nas tensões entre as duas potências pode beneficiar o comércio global. Contudo, isso poderia resultar em maiores importações de soja pelos Estados Unidos, o que, se concretizado, poderia impactar as vendas brasileiras para a China, mesmo que os EUA não consigam atender a toda a demanda chinesa.
Contexto
O relatório também menciona a guerra no Irã como um fator de risco significativo que pode influenciar as exportações brasileiras de carne de frango, carne bovina e milho, além de afetar a compra de insumos como adubos e óleos.
Nos primeiros quatro meses de 2026, a balança comercial do Brasil apresentou um superávit de US$ 24,8 bilhões, uma melhora em relação aos US$ 7,5 bilhões no mesmo intervalo de 2025. Em abril, o saldo foi de US$ 10,5 bilhões, com a China gerando um superávit de US$ 11,6 bilhões, ou seja, 47% do total registrado até aqui.
Analistas da FGV projetam que a balança comercial deve concluir 2026 com um superávit entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões, assumindo que o conflito no Oriente Médio não se prolongue e que não ocorram alterações significativas na política externa dos EUA.
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