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Mercado Financeiro
3 min de leitura

Exportações brasileiras ao Golfo Persa seguem apesar de tensões

Com 50 dias de bloqueios no Estreito de Ormuz, 12 navios partiram do Brasil

Camila Souza Ramos19 de abril de 2026 às 08:10
Exportações brasileiras ao Golfo Persa seguem apesar de tensões

Apesar das restrições impostas no tráfego pelo Estreito de Ormuz, decorrentes da guerra no Irã, o Brasil conseguiu enviar 12 navios cargueiros para a região desde o início do conflito, em março de 2026. Essa rota é essencial para o comércio com os países do Golfo Pérsico.

Movimentação de Cargueiros

Oito embarcações partiram em março, e quatro adicionais deixaram os portos brasileiros em abril. A Marinha do Brasil não divulgou detalhes sobre os destinos dessas cargas, mas é sabido que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos são os principais importadores de produtos brasileiros, como açúcar e carne de frango.

O Irã é o terceiro maior comprador do Brasil, especialmente de milho.

Contexto do Comércio

Em 2025, o Irã foi responsável por 23% das exportações brasileiras de milho, contabilizando mais de 9 milhões de toneladas, conforme dados da Associação Nacional de Exportadores de Cereais.

O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, comentou que apesar das restrições, as exportações brasileiras para o Irã tiveram um aumento em fevereiro em comparação a março, totalizando US$ 134,8 milhões. As vendas para a Arábia Saudita e Emirados caíram, indicando uma possível adaptação às circunstâncias do conflito.

Desafios nas Exportações

As operações comerciais enfrentam uma série de entraves devido ao receio de penalidades por parte dos bancos, mesmo com os alimentos não sendo afetados pelas sanções. A estimativa é que as vendas brasileiras ao Irã sejam ainda mais significativas do que relatadas pela estatística oficial.

O governo brasileiro firmou um acordo com a Turquia em março, facilitando uma rota alternativa para o transporte das mercadorias ao Golfo Pérsico. Mesmo com os desafios, o fluxo de milho brasileiro continua chegando ao Irã, especialmente ao porto de Bandar Imam Khomeini.

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Possivelmente, muitas dessas cargas estejam sendo levadas para outros países e depois trazidas para cá, ainda que alimentos estejam fora das sanções

André Veras.

Recentemente, relatos indicaram que 500 mil toneladas de milho aguardavam descarga no porto iraniano, e 675 mil toneladas chegaram no final de março. Contudo, o volume geral de milho que chegou ao Irã apresentou uma queda em relação ao ano anterior, o que levanta preocupações sobre a eficiência dessas rotas.

Desde o início das hostilidades, o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz foi drasticamente reduzido, e os Estados Unidos intensificaram os bloqueios, levando o Irã a reagir com novas restrições.

A Marinha brasileira permanece atenta à situação e está emitindo diretrizes de segurança marítima para as empresas que operam na área, enfatizando a necessidade de vigilância nas regiões sensíveis.

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