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Mercado de petróleo enfrenta incertezas com bloqueios no Hormuz

Volatilidade persistente prevista até resolução entre EUA e Irã

João Pereira15 de abril de 2026 às 15:45
Mercado de petróleo enfrenta incertezas com bloqueios no Hormuz

O mercado global de petróleo deve continuar enfrentando uma fase de grande volatilidade nos próximos meses, impulsionado pelas incertezas relacionadas ao bloqueio do Estreito de Hormuz e pela falta de uma solução diplomática entre os Estados Unidos e o Irã.

De acordo com a 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, divulgada em 14 de março, o bloqueio no Estreito de Hormuz causou a interrupção do fluxo de aproximadamente 12 milhões de barris diários, representando cerca de 12% da produção global.

Os preços do petróleo Brent ultrapassaram a marca de US$ 100 por barril em função dessa disrupção.

Bruno Cordeiro, da StoneX, afirma que mesmo com ações emergenciais, o cenário do mercado permanece complexo. Ele ressalta que as alternativas, como rotas alternativas e a liberação de reservas estratégicas, ainda não são suficientes para mitigar o déficit no abastecimento. "A capacidade logística atual não pode substituir o papel crucial do Estreito de Hormuz, resultando em uma significativa parcela da oferta global fora do mercado", explica.

Rotas como o Canal de Suez e o Estreito de Bab el-Mandeb estão funcionais, mas não conseguem processar integralmente o volume de petróleo que está sendo redirecionado. Até a terceira semana de março, cerca de 5 milhões de barris estavam sendo desviados, principalmente através de oleodutos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos até o Mar Vermelho, além de aproximadamente 1,2 milhão de barris ainda trafegando pelo Estreito.

A liberação de 426 milhões de barris das reservas estratégicas, anunciada pela Agência Internacional de Energia, pode oferecer um alívio temporário. Contudo, a StoneX projeta que, mesmo com esse incremento, o mercado pode continuar enfrentando uma escassez de até 9 milhões de barris diários, cerca de 8% da oferta total.

Cordeiro observa que essa desproporção deve pressionar os estoques e os preços. "Um desequilíbrio nessa magnitude está propenso a resultar na diminuição mais acentuada dos estoques comerciais nos próximos trimestres, especialmente se o bloqueio persistir", destaca. "Esse é o elemento que sustenta a expectativa de um aumento estrutural nos preços a curto e médio prazo."

A região asiática deverá ser a mais afetada pelas limitações de oferta. Em 2025, cerca de 12,9 milhões de barris diários cruzaram o Estreito de Hormuz em direção aos mercados asiáticos, destacando-se China e Índia, que representam uma parte significativa das importações e capacidade de refino global. A decisão recente da China de restringir exportações de derivados intensifica a pressão na região, ao passo que países como o Japão buscam alternativas, incluindo ofertas dos Estados Unidos.

Nos EUA, o ambiente de produção é mais favorável, mas um aumento nas exportações pode restringir o crescimento dos estoques, já que a demanda externa levou os embarques a operar quase em capacidade máxima, solidificando a posição do país como um importante fornecedor atual.

Outro aspecto mencionado pela StoneX é o reposicionamento do petróleo russo no mercado internacional. A crescente demanda por barris sancionados, particularmente na Ásia, continua a sustentar os fluxos, embora os ataques a portos estratégicos no fim de março tenham temporariamente interrompido a capacidade de exportação.

Cordeiro conclui afirmando que a ausência de uma solução definitiva entre os EUA e o Irã mantém uma tendência de alta nos preços do petróleo. "Um cessar-fogo temporário, sem um acordo duradouro e a reabertura do Estreito de Hormuz, deixa a volatilidade elevada e os riscos de oferta no centro das atenções do mercado", ressalta.

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