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Crescimento da carne cultivada enfrenta barreiras regulatórias

Setor avança com tecnologia, mas desafios de aceitação e regulação persistem

Carlos Silva05 de abril de 2026 às 07:05
Crescimento da carne cultivada enfrenta barreiras regulatórias

O setor de carne cultivada, que produz proteína sem abate de animais, continua a se expandir globalmente, impulsionado por inovações tecnológicas e investimentos significativos. Contudo, ainda enfrenta obstáculos regulatórios e resistência do consumidor que podem impactar sua adoção em larga escala.

Perspectivas do Mercado

De acordo com um estudo da Market Growth Reports, o segmento de carne cultivada deve crescer de US$ 198,47 milhões em 2025 para US$ 827,93 milhões até 2034, com uma taxa média de crescimento anual de 17,2%. Apesar do cenário recente de retração nos investimentos, a indústria parece entrar em uma fase de consolidação, onde empresas mais fortes financeiramente e tecnologicamente devem dominar o futuro.

Os custos de produção da carne cultivada caíram até 85% desde 2020.

Redução de Custos e Avanços Tecnológicos

Um dos principais desafios do setor é o alto custo de produção, mas inovações tecnológicas estão ajudando a amenizar essa questão. Em Israel, cientistas desenvolveram uma técnica que permite a multiplicação de células bovinas indefinidamente sem o uso de engenharia genética, resultando em redução de custos e simplificação das aprovações regulatórias.

Além disso, a Multus Biotechnology, da Grã-Bretanha, introduziu meios de cultivo celulares mais acessíveis, permitindo que o custo desse insumo essencial caia para menos de US$ 1 por litro, em comparação com valores que chegavam a centenas de dólares anteriormente.

Desafios na Escala Industrial

Transitar da fase de produção piloto para uma escala industrial é um dos principais obstáculos enfrentados. Para isso, várias empresas estão formando parcerias com entidades estabelecidas em engenharia e produção de alimentos. Um exemplo é a Believer Meats, que construiu uma unidade de produção de US$ 123 milhões nos EUA, com capacidade para 12 mil toneladas anuais de frango cultivado.

Investimentos de Grandes Corporações

O setor também atraiu a atenção de grandes nomes da indústria de proteínas. A JBS, principal produtora mundial de carne, anunciou investimentos de cerca de US$ 100 milhões em tecnologias de carne cultivada, iniciando um processo de produção fora do Brasil nos próximos anos.

Regulamentação e Aceitação do Consumidor

Nos Estados Unidos e Singapura, as regulamentações estão progredindo, com a Believer Meats obtendo a aprovação do USDA para comercializar frango cultivado. Contudo, 25% dos mercados potenciais ainda carecem de diretrizes regulatórias, o que pode atrasar a entrada de novos produtos.

A aceitação do consumidor também é uma preocupação. Com estados como a Flórida e Texas proibindo a venda de carne cultivada, as empresas enfrentam um ambiente desafiador. Na Europa, a regulamentação está lenta, e 29% dos consumidores globais ainda expressam dúvidas sobre esse tipo de produto.

Cerca de 35% dos compradores institucionais demonstram interesse em proteínas cultivadas.

Segmentos em Alta

O mercado é dominado por aves cultivadas, seguidas de carne bovina e frutos do mar, com previsão de movimentar cerca de US$ 110 milhões em consumo doméstico até 2025. A América do Norte é responsável por 37% do comércio global, enquanto a América Latina e o Oriente Médio são considerados mercados emergentes.

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