MP do Frete avança no Congresso, mas enfrenta forte oposição
Medida pode aumentar custos logísticos e gerar insegurança para o setor

A Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, está prestes a ser aprovada, após avançar pela Câmara dos Deputados e prosseguir para votação no Senado até 16 de julho.
Contudo, a proposta enfrenta resistência significativa de representantes do agronegócio e da indústria, que levantam preocupações sobre o aumento nos custos logísticos e a possível insegurança jurídica.
Mudanças propostas na MP do Frete
A MP estabelece um sistema mais rigoroso de fiscalização do piso mínimo das tarifas de frete rodoviário, implementa um salário mínimo de R$ 5 mil para motoristas de longa distância, aumenta as penalidades para empresas que não cumprirem a tabela de fretes, e introduz novas normas para o transporte rodoviário de cargas.
✨ Atividades também incluem anistia a caminhoneiros multados por bloqueios e conversão de multas em advertências.
Entre as principais alterações está a atualização semestral da tabela de frete e a exigência de pagamento de 70% do valor ao transportador autônomo antes da finalização do serviço.
As multas previstas para violação do piso podem oscilar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, além da possibilidade de suspensão do registro no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).
Críticas à proposta
Representantes da Aprosoja-MT expressaram forte descontentamento, afirmando que as novas regras ampliarão a intervenção estatal e acarretarão novos custos para toda a cadeia logística, em um contexto já desafiador devido aos altos custos de produção e instabilidade nos preços das commodities.
A Frente Parlamentar da Agropecuária também manifestou suas reservas, citando que a metodologia para o cálculo do frete e o modelo de fiscalização pode gerar incertezas jurídicas e desconsiderar diferenças locais e especificidades do setor.
Impactos da fiscalização
Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que, até março, mais de 192 mil autuações foram registradas, estimando até R$ 2 bilhões em multas. Projeções indicam que esse número pode alcançar até 390 mil autuações e R$ 4,1 bilhões até o fim de 2026.
Enquanto o setor produtivo critica a insegurança crescente, caminhoneiros autônomos defendem a manutenção da tabela de frete para equilibrar negociações com grandes embarcadores.
Revisão pedida pela Fiesp
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também se manifestou, exigindo que o Senado reavalie a proposta. A entidade destacou que a MP intensificará a intervenção estatal e impactará os custos logísticos, refletindo nos preços ao consumidor.
✨ A Fiesp criticou as multas desproporcionais e a possibilidade de cassação de registros, ressaltando que haverá efeitos adversos nos produtos de menor valor agregado, como o calcário agrícola.
Ao concluir, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, afirmou que a proposta pode criar distorções econômicas. A federação pede ao Senado que promova alterações para evitar impactos negativos na economia nacional.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de economia

Dólar cai e mercado aguarda decisão sobre tarifas dos EUA
Movimento do real reflete influência externa e pressões comerciais

Petrobras investirá R$ 72,5 bilhões em Sergipe para reativar Fafen-SE
Anúncio ocorrerá durante evento com a presença do presidente Lula.

Acordo Mercosul e União Europeia é assinado por Lula
Tratado de comércio entra em vigor em 1º de maio

Crise econômica leva Raízen a solicitar recuperação judicial
Gigante do setor de combustíveis busca reestruturar R$ 65 bilhões em dívidas





