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economia
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Seguro rural no Brasil: cobertura insuficiente exacerba riscos financeiros

A falta de seguro adequado causa danos financeiros aos produtores rurais

Gabriel Rodrigues05 de julho de 2026 às 12:15
Seguro rural no Brasil: cobertura insuficiente exacerba riscos financeiros

O Brasil tem avançado na concessão de crédito rural e na produção agrícola, conquistando safras bilionárias. Contudo, a sustentabilidade dessa produção está ameaçada devido à fragilidade na gestão de riscos, evidenciada pela baixa cobertura do seguro rural, que assegura menos de 4% da área plantada.

Esse cenário se torna ainda mais crítico diante de fenômenos climáticos, como secas ou chuvas excessivas, que podem transformar rapidamente um desafio agrícola em um problema financeiro para os produtores. Quando as colheitas falham, as consequências incluem não apenas a perda de receita, mas também atrasos nos pagamentos de dívidas e cortes significativos nos investimentos para o próximo ciclo.

Programa de Subvenção e suas Limitações

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural foi criado para tornar as apólices mais acessíveis, com o governo arcam com parte do custo. No entanto, a oscilação no orçamento destinado a este programa limita a real proteção que os agricultores precisam, refletindo em um acesso cada vez menor aos seguros.

Em 2025, apenas 61,6 mil apólices foram contratadas, cobrindo apenas 3,2 milhões de hectares — o menor número em uma década.

Além disso, as estimativas da FGV-Agro indicam que é provável uma nova queda em 2026, alcançando somente cerca de 2,7 milhões de hectares, o que equivale a menos de 3% do total da área agrícola nacional. Enquanto isso, o Plano Safra 2026/2027 planeja um volume significativo de recursos.

Impacto Econômico da Falta de Seguro

A ausência de uma cobertura de seguro adequada não apenas afeta o agricultor, mas também tem repercussões em toda a cadeia produtiva, incluindo cooperativas e instituições financeiras, impactando a liquidez e a arrecadação municipal.

A realidade mostra que um seguro rural mais robusto pode ser mais econômico do que as respostas emergenciais necessárias após desastres. Quando as perdas climáticas não são cobertas, há um aumento na pressão por renegociações e outras medidas de apoio, que podem ser mais custosas para o governo.

De acordo com um relatório do Climate Policy Initiative, a falta de clareza orçamentária acaba desestimulando os produtores a aderirem aos seguros pois os recursos são frequentemente cortados. Portanto, não se trata apenas de incrementar verbas, mas também de oferecer estabilidade financeira e previsibilidade.

A combinação de um sistema de crédito robusto e a fragilidade no seguro rural apresenta um dilema crescente: em um ambiente com climas não homogêneos e margens de retorno reduzidas, a proteção garantida pode se tornar a diferença crítica entre a recuperação e o endividamento.

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