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Educação
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Professora Em Grávida Enfrenta Crise Profissional e Financeira

Roberta Rieger se vê sem trabalho e salário durante gravidez de risco

Tiago Abech14 de abril de 2026 às 06:00
Professora Em Grávida Enfrenta Crise Profissional e Financeira

Nos últimos meses, a gravidez de Roberta Rieger tem sido marcada por angústia e desafios financeiros. A professora, cuja gravidez é considerada de risco, se encontra sem trabalho e sem salário, o que torna incerta a chegada de seus gêmeos.

A Situação de Roberta

Docente temporária na rede estadual paulista, Roberta é parte da categoria O, um regime de contratação que visa preencher lacunas na ausência de professores efetivos. Ela foi afastada de sua escola em Osasco, na Grande São Paulo, e desde então enfrenta a falta de remuneração e a incerteza quanto ao retorno.

Dados do Dieese apontam que mais de 35 mil professores temporários tiveram seus contratos rompidos.

Alterações nas Regras de Contratação

A contratação dos professores temporários foi alterada em fevereiro de 2026, quando o governo de Tarcísio de Freitas decidiu que os profissionais com avaliações insatisfatórias teriam que passar novamente pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS) para obter novos contratos. Essa medida gerou ainda mais insegurança entre os docentes da categoria O.

Roberta, que começou a trabalhar na rede em maio de 2025, não sabia que teria que participar do PSS de 2025 para garantir seu posto no ano letivo de 2026. Durante sua tentativa de confirmar as aulas, ela se deparou com problemas na plataforma online da Secretaria Escolar Digital, e ao buscar ajuda, ficou sem respostas concretas.

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Eu fui atrás da direção escolar, da diretoria de ensino, da secretaria de educação e ninguém me ajudava. Eles só falavam: ‘Fica tranquila, a gente tá verificando’.

A Falta de Remuneração

Em fevereiro, Roberta recebeu uma notificação sobre a sua condição de 'interrupção de exercício', mas isso não resultou em qualquer pagamento. Apesar de manter o vínculo empregatício, ela não recebeu salário em março e não possui previsão de pagamento para abril. A professora relata que a situação a levou a buscar assistência psicológica devido ao estresse.

A estabilidade provisória garantida a gestantes tem sido questionada devido às políticas atuais.

Outras Vozes na Mesma Luta

Letícia Martinez Souza, outra professora temporária de Osasco, também enfrenta dificuldades semelhantes. Ela relatou ter recebido pressão em sua escola ao ter faltas devido a consultas médicas importantes para a saúde de seu filho, o que lhe causou estresse intenso durante a gestação.

Após a licença-maternidade, Letícia foi informada sobre a 'interrupção de exercício' sem perspectiva de retorno às aulas, ressaltando um padrão de precarização enfrentado por professoras grávidas.

A Resposta do Governo

Em resposta aos relatos, a Secretaria da Educação de São Paulo afirmou que os docentes da categoria O não tiveram aulas atribuídas para 2026, o que justifica a falta de remuneração. A secretaria também declarou que a estabilidade provisória de gestantes é mantida conforme a legislação.

Contudo, muitos questionam como a lei pode ser cumprida se as professoras permanecem sem salários e sem garantias durante sua gravidez.

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