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Internacional
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Brasil e China têm oportunidades para expandir comércio de carne bovina

Reunião em Chongqing enfatiza a força da parceria entre os países no setor.

Gabriel Azevedo14 de maio de 2026 às 08:35
Brasil e China têm oportunidades para expandir comércio de carne bovina

Exportadores brasileiros e importadores chineses de carne bovina reafirmaram, em reunião realizada nesta quinta-feira (14 de maio), a relevância da parceria comercial entre Brasil e China, indicando que existem amplas possibilidades de crescimento nos negócios, mesmo diante das incertezas relacionadas à cota de importação imposta por Pequim a partir de 2026.

Durante o evento The Beef and Road, organizado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) na cidade de Chongqing, empresários de ambos os países demonstraram otimismo ao conversar sobre o aumento das trocas comerciais. O Brasil reafirmou sua capacidade de produção e prontidão para atender à crescente demanda chinesa, enquanto os importadores destacaram a qualidade da carne brasileira.

O evento reuniu representantes de 21 frigoríficos brasileiros e 50 empresas chinesas que atuam na importação e revenda do produto.

Roberto Perosa, presidente da Abiec, enfatizou a importância do evento, que não apenas demonstra a força do Brasil no mercado chinês, mas também busca construir uma relação estratégica e duradoura entre os dois países. Ele mencionou que a expressiva presença de exportadores reforça o compromisso do Brasil em ampliar suas relações comerciais e fortalecer os laços com o mercado chinês, apesar das limitações legais e tarifárias.

Recentemente, o governo chinês anunciou que o Brasil já utilizou 50% da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina estabelecida para o ano. Assim que essa cota for atingida, as exportações estarão sujeitas a uma taxa tarifária de 55%. Perosa ressaltou que a parceria vai além de dados numéricos, sendo fundamentada em confiança, qualidade e diálogo contínuo.

Muitos frigoríficos veem o evento como uma oportunidade para conquistar novos clientes e viabilizar vendas futuras, principalmente considerando o espaço disponível para embarques no último trimestre do ano, quando os abatedouros poderão reiniciar os envios dentro do volume autorizado para 2027.

Perspectivas Chinesas

Zhang Kui, representante da Comissão Municipal de Comércio de Chongqing, comentou que a escolha da cidade para o evento dedicou-se a reconhecer a capacidade de consumo local e a abertura do mercado. Ele acredita que Chongqing pode se tornar um núcleo relevante para a inspeção e distribuição da carne bovina brasileira na China.

Mark Zang, CEO da JinShangXu International, uma das principais tradings de carne bovina no país, destacou que o comércio global de proteínas está passando por transformações, mas o Brasil deve continuar competitivo no cenário chinês, destacando a experiência familiar da sua empresa na importação desse produto.

Zang também expressou preocupações sobre a introdução de carne bovina dos Estados Unidos ao mercado chinês, especialmente após a recente renovação das licenças de exportação para quase 400 frigoríficos americanos. No entanto, ele permaneceu positivo ao afirmar que a posição do Brasil como fornecedora estratégica de carne bovina se mantêm firme, ressaltando que a estabilidade e a rastreabilidade a longo prazo são fundamentais para o sucesso.

Resultados e Expectativas

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, lembrou que a exportação de carne bovina do Brasil para a China saltou de 100 mil toneladas há dez anos para quase 1,7 milhão de toneladas em 2025. Ele enfatizou os desafios que permanecem, mas também a relação privilegiada que existe entre os dois países na segurança alimentar, colocando o Brasil como um parceiro confiável em termos de qualidade e capacidade de fornecimento.

O Brasil está em um momento favorável nas relações bilaterais com a China, e essa parceria tem grande potencial de crescimento.

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