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Internacional
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Cresce temor entre brasileiros em Portugal com ascensão do Chega

O aumento da popularidade do partido de extrema direita ameaça políticas migratórias e intensifica hostilidade.

Carlos Silva23 de maio de 2026 às 03:10
Cresce temor entre brasileiros em Portugal com ascensão do Chega

A crescente popularidade do partido de extrema direita Chega em Portugal gera preocupação entre os brasileiros que residem no país, temendo que isso influencie políticas migratórias e crie um ambiente mais hostil.

A onda de hostilidade

Cartazes do Chega, que afirmam que "os imigrantes não podem viver de subsídios", estão se espalhando pelo território português desde as últimas eleições. Com uma população de aproximadamente 1,5 milhão de estrangeiros, que representa cerca de 14% da população, as novas leis migratórias têm gerado apoio crescente entre os cidadãos.

Estudos mostram que os imigrantes são cruciais para a economia portuguesa, tanto do ponto de vista social quanto econômico.

Embora a hostilidade contra estrangeiros esteja se intensificando, dados indicam que Portugal já depende substancialmente dessa população. Imigrantes não recebem benefícios sociais em quantidade superior aos nacionais e suas contribuições são fundamentais para o sistema de proteção social, sem o qual o país estaria em dificuldades financeiras.

O papel dos imigrantes na economia

Um estudo da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima) demonstrou que, no ano passado, cerca de 1,1 milhão de estrangeiros contribuíram para a Previdência Social em Portugal, marcando um crescimento de 447% em uma década. As contribuições somaram quase 4,2 bilhões de euros, representando 14% do total arrecadado.

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Portugal está entre os países com a população mais envelhecida da União Europeia, e as contribuições dos trabalhadores estrangeiros são um suporte essencial

Elísio Estanque, sociólogo especialista em migração.

Na prática, é o trabalho dos imigrantes que mantém diversos setores da economia, como o turismo e a agricultura, funcionando. O sociólogo Elísio Estanque ressalta que os brasileiros, o maior grupo de imigrantes, desempenham papéis cruciais, desde a condução de aplicativos de transporte até o atendimento em lojas.

Sem esses trabalhadores, muitos serviços básicos não teriam ninguém para operar.

Verônica Santos, uma brasileira que chegou a Portugal há três meses, encontrou emprego rapidamente e elogia a segurança do país em comparação ao Brasil, onde a insegurança é uma preocupação constante. Ela afirma: "Ganhamos um bom dinheiro aqui".

A narrativa dos partidos de extrema direita

Partidos como o Chega têm usado a retórica anti-imigração para culpar os estrangeiros por problemas de segurança, mesmo que a realidade mostre que a falta de mão de obra nacional é um desafio para empresas e setores inteiros da economia. 'Sem trabalhadores imigrantes, muitos setores teriam que fechar', observa João Neves, professor de Economia.

A dependência de mão de obra estrangeira é evidente, principalmente no turismo, que representa 20% do PIB de Portugal.

Apesar dos benefícios claros trazidos pelos imigrantes, os sentimentos de preconceito estão crescendo. O sociólogo Estanque destaca que a falta de políticas de imigração eficazes contribuiu para a tensão social. Ele prevê que propostas rigorosas para limitar o tempo de permanência dos imigrantes apenas afetarão suas condições de trabalho.

João Neves conclui que é fundamental desenvolver uma política migratória que seja sustentável e objetiva, lembrando que Portugal também foi um país de emigração. 'Devemos aprender com nossa própria história para evitar erros futuros.'

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