Guerra civil em Mianmar já deixou mais de 100 mil mortos
Conflito se intensifica após golpe de estado militar em 2021

Desde o início da guerra civil em Mianmar, mais de 100 mil vidas foram perdidas, resultado do golpe militar que destituiu o governo democraticamente eleito em fevereiro de 2021. Este dado alarmante foi divulgado por uma organização que analisa conflitos armados.
O Exército birmanês interrompeu uma década de democracia ao prender a líder Aung San Suu Kyi. As manifestações pacíficas contra o golpe foram severamente reprimidas, levando muitos ativistas a se unirem à luta armada contra a junta militar.
✨ Conflitos em Mianmar são considerados os mais letais da Ásia atualmente.
Dados da ONG Acled indicam que 100.114 pessoas faleceram em decorrência dos confrontos; embora não haja números oficiais, a variação nas estimativas é significativa, mas analistas enfatizam a gravidade da situação e as contínuas violências.
"É uma dor sem fim, afirmou Thein Aye Nu, que perdeu o marido em um ataque aéreo. "Estou revoltada, mas não sei mais com quem".
Impacto nas comunidades
A violência escalou com a recente nomeação de Min Aung Hlaing como presidente em eleições que foram amplamente criticadas como uma fachada para o regime militar. A situação levou muitos civis a se armarem, pois a insegurança se espalhou, com mais de 3,7 milhões de pessoas deslocadas.
✨ Mais de um em cada cinco deslocados enfrenta insegurança alimentar.
Os relatos de abusos são recorrentes, com famílias buscando abrigo em meio a bombardeios e constantes ameaças. Yin Than, que perdeu seu marido, expressou: "Em casa não dá para viver, e nos lugares onde encontramos abrigo, também não".
Em meio a essa devastação, a maior cidade, Yangon, ainda experimenta uma rotina quase normal, mas enfrenta assassinatos esporádicos. Outras regiões, no entanto, sofrem bombardeios frequentes.
Conflito complexo e militarização crescente
Analistas afirmam que Mianmar vive o conflito mais fragmentado do mundo, com mais de 1.200 grupos armados atuando. A Acled alerta sobre a crescente brutalidade, com ataques a escolas e centros de saúde se tornando comuns.
"Nesta guerra, matam indiscriminadamente, ressaltou Thaung Sein, após perder seu filho durante um ataque militar.
A situação militar também se intensificou, com o regime implementando recrutamento forçado e enviando civis à linha de frente. Um desertor comentou: "Se você não morre, mandam você para outro lugar".
A crise humanitária gerada pelo conflito também afeta países vizinhos, com refugiados buscando abrigo na Tailândia e em Bangladesh. Grupos armados utilizam o tráfico de drogas como fonte de financiamento para suas atividades.
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