Irã exige cautela dos EUA após tensões nas negociações de paz
Diálogo entre Teerã e Washington busca encerrar conflito no Oriente Médio

O Irã instou os Estados Unidos a 'medir suas palavras' após o presidente Donald Trump ter feito ameaças, em um evento que evidencia as tensões crescentes nas negociações em andamento na Suíça, visando um acordo para acabar com a guerra no Oriente Médio.
As trocas de ameaças começaram logo após o presidente americano convocar Teerã a impedir que seus aliados no Líbano causassem 'problemas', enquanto ele aventou a possibilidade de retomar as ofensivas contra o país. Este clima tenso surge enquanto representantes dos dois países se reúnem para discutir um memorando de entendimento assinado recentemente, que visa garantir um comprometimento de não hostilidade mútua.
Negociações sob pressão
As conversas tiveram início em um hotel nos Alpes suíços, com mediação do Catar e Paquistão. A delegação dos EUA é liderada pelo vice-presidente JD Vance, enquanto a parte iraniana é chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf. Ambas as partes aspiram a alcançar um acordo nos próximos 60 dias, que pode pôr fim a um conflito que já resultou em milhares de mortos e impactos significativos na economia global.
✨ Essas negociações ocorrem enquanto confrontos entre Israel e Hezbollah intensificam-se no Líbano, desafiando o acordo proposto de cessação de hostilidades.
De acordo com a televisão estatal iraniana, o tema do programa nuclear não foi abordado na sessão inaugural das conversas. A delegação iraniana também recusou-se a posar para uma fotografia conjunta com os representantes dos EUA, o que destaca a desconfiança e as tensões persistentes entre os dois países.
Cessação das hostilidades como condição
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, enfatizou que um acordo só seria possível se as hostilidades no Líbano cessem. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou a permanência de suas tropas no sul do Líbano enquanto necessário, enquanto o líder do Hezbollah, Naim Qasem, se opôs à criação de uma zona de segurança israelense.
O vice-presidente Vance, por outro lado, expressou otimismo a respeito do avanço nas negociações, afirmando ter notado progressos significativos na garantia de um cessar-fogo no Líbano.
Contexto
Desde o início do conflito em março, as operações de Israel resultaram na morte de mais de 4.100 pessoas. Por outro lado, Israel confirmou a perda de 36 militares desde então.
Fechamento do Estreito de Ormuz
A continuidade das discussões será observada nos próximos dias, com Vance mencionando que sua permanência na Suíça pode ser curta. Ele reitera que se o Irã estiver disposto a evitar uma posição de instabilidade regional e renunciar às aspirações nucleares, os EUA estariam prontos para transformar fundamentalmente suas relações.
Apesar dos confrontos no Líbano, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz em resposta a agressões, uma atitude que pode impactar significativamente o tráfego marítimo, crucial para o transporte dos hidrocarbonetos.
As forças dos EUA, pelo comando Centcom, informaram que estão mantendo a vigilância em relação a qualquer atividade no Estreito, onde 55 navios mercantes passaram em segurança no último dia, apesar da nova escalada de tensões.
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