Segurança aumenta após chamadas para nova travessia em massa

A polícia marroquina deteve pelo menos 111 indivíduos na tentativa de entrar no enclave espanhol de Ceuta, situado no norte da África. As prisões ocorreram em um momento de reforço significativo da segurança nas fronteiras, desencadeado por publicações nas redes sociais que convocavam uma nova travessia em massa.
Essa nova tentativa de cruzar a fronteira acontece apenas duas semanas após a entrada de mais de 72 mil migrantes em Ceuta, o que gerou tensões na União Europeia e alimentou a retórica anti-imigração em diversas nações, especialmente entre partidos de extrema direita. Durante essas travessias, pelo menos 96 pessoas perderam a vida ao tentar chegar ao solo europeu.
Conforme um representante do Ministério do Interior marroquino informou à Reuters, entre os detidos, 109 eram migrantes da África subsaariana, juntamente com dois marroquinos, capturados na cidade de Fnideq, que está em frente a Ceuta.
Relatos da agência EFE destacam que a polícia marroquina utilizou gás lacrimogêneo para dispersar grupos de migrantes que se reuniam em colinas a aproximadamente 3 km da fronteira. A Reuters observou centenas de policiais em ação em Fnideq, alguns equipados para tumultos, enquanto outros estavam em roupas civis retornavam das áreas mais altas.
Em Ceuta, forças armadas patrulhavam supermercados e a polícia intensificou a vigilância nas ruas principais. Apesar de a cidade estar mais tranquila em comparação aos dias após a tragédia de 30 de julho, Madri aumentou a presença policial com mais de 500 agentes, somando mais de 1.600 policiais no total, e instalou uma barreira marítima.
✨ O Ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirma que os reforços de segurança permanecerão por tempo indeterminado.
Grande-Marlaska também ressaltou que cerca de 5.000 migrantes ainda estão em Ceuta e que muitos deles estão vivendo em condições precárias, como abrigos improvisados na praia de El Trampolín. Ele reiterou que os migrantes que ingressaram irregularmente não terão direitos de permanência, salvo em situações extremas, e serão devolvidos a Marrocos.
Rabat intensificou a fiscalização, monitorando postagens que convocam uma travessia em massa para o dia 15 de agosto. Testemunhas relataram um aumento na segurança, com veículos e barreiras policiais, além de restrições em cidades marroquinas como Casablanca e Fez. Contudo, alguns migrantes ainda tentam contornar esses bloqueios utilizando rotas menos vigiadas.
"O conselho mais importante que eu daria às pessoas que estão tentando atravessar é: não atravessem agora, meus irmãos. Vocês só vão sofrer.
Jovens como Adil Jamil relembraram a necessidade de união entre os migrantes ao planejar travessias, afirmando que a esperança de um futuro melhor os motiva a assumir esses riscos.
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