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Justiça
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Cade arquiva análise da aquisição da Run:ai pela Nvidia

Decisão unanime considera que não há necessidade de notificação

Acro Rodrigues13 de maio de 2026 às 13:25
Cade arquiva análise da aquisição da Run:ai pela Nvidia

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu, nesta quarta-feira (13), arquivar a investigação sobre a aquisição da startup israelense Run:ai pela multinacional Nvidia. Os conselheiros concordaram, por unanimidade, que a transação não exige notificação obrigatória.

A análise do caso, iniciada em outubro de 2024 pela Superintendência-Geral do Cade, revelou que as empresas envolvidas não atendem aos critérios de faturamento estabelecidos pela legislação brasileira. O conselheiro-relator Carlos Jacques destacou que, apesar do faturamento bruto global da Nvidia ter alcançado US$ 27 bilhões em 2023, os dados financeiros da empresa em território brasileiro são limitados.

Nvidia e Run:ai não atendem ao critério de faturamento mínimo para notificação.

A Run:ai, por sua vez, não gerou receita e não possui operações ou clientes no Brasil, o que foi suficiente para que Jacques encerrasse a análise, afirmando que nenhuma das partes cumpre os requisitos legais para que a operação fosse obrigatoriamente submetida ao Cade.

As empresas também argumentaram que a fusão não criaria sobreposição de mercado nem resultaria em uma integração vertical significativa. Embora a Superintendência tenha optado por encaminhar o caso ao tribunal, não se manifestou sobre a obrigatoriedade da notificação, considerando a complexidade das operações nos ecossistemas digitais.

Carlos Jacques esclareceu, durante o julgamento, que a única questão em pauta era a necessidade de notificação, sem entrar no mérito concorrencial da operação. Ele também comentou que não foram encontrados indícios de domínio de mercado no Brasil, uma vez que a participação da Nvidia é bastante reduzida e a Run:ai não atua no país.

Além disso, Jacques mencionou que a Comissão Europeia, ao analisar a compra, não se opôs à transação após concluir que não haveria impactos anticoncorrenciais na Europa. Com o arquivamento, o Cade finaliza a investigação sem avaliar o conteúdo da aquisição.

Na mesma sessão, o Cade tratou de outros casos relevantes em mercados digitais, como operações que envolvem empresas como Microsoft, Mistral AI e Google, destacando o aumento no monitoramento desse setor.

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