Chuvas isolam quinze quilombos no Rio Grande do Sul
A difícil acessibilidade das estradas em comunidades não totalmente isoladas

As cerca de 6,8 mil famílias quilombolas do Rio Grande do Sul foram impactadas pelas chuvas e enchentes que estão afetando o estado. Quinze das aproximadamente 170 comunidades formadas por descendentes de escravizados estão totalmente isoladas, sendo possível chegar até elas apenas por barco ou helicóptero, de acordo com levantamento da Coordenação Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
José Alex Borges Mendes, de 47 anos, coordenador da organização na Região Sul, relatou à Agência Brasil que muitas famílias perderam suas casas em diversas comunidades e estão sendo acolhidas pelas casas de parentes ou amigos. Nas comunidades que não estão totalmente isoladas, as estradas ficaram extremamente danificadas, dificultando o acesso.
Ele também mencionou que a situação ainda é delicada devido aos danos provocados pelas chuvas. A mobilidade está comprometida devido às barreiras do trânsito, impactando severamente as comunidades afetadas. José Alex, que é do quilombo de Armada, em Canguçu (RS), onde reside com mais 59 famílias, destacou as dificuldades enfrentadas não somente em seu município, mas também nas outras 79 cidades que abrigam comunidades quilombolas no estado.
A comitiva gaúcha de quilombolas não pôde participar da marcha Aquilombar 2024, em Brasília, devido às condições climáticas. Em vez disso, optaram por permanecer na região, mobilizando esforços para auxiliar uns aos outros.
Apesar das adversidades, José Alex ressaltou a solidariedade entre as comunidades quilombolas, que buscam se ajudar mutuamente. Ele enfatizou a importância de conter o impacto psicológico e emocional nas famílias que perderam suas casas, destacando os esforços para fornecer suporte e auxílio.
O Ministério da Igualdade Racial (MIR) divulgou que está monitorando a situação das comunidades quilombolas, ciganas e de povos e comunidades tradicionais afetadas pelas chuvas. O órgão tem coordenado com outros ministérios e movimentos sociais o envio de cestas básicas e outros itens essenciais para auxiliar as comunidades atingidas.
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Por Agência Brasil
Jornalista especializado em Meio Ambiente
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