Cidades brasileiras carecem de planos contra calor extremo
Estudo revela que 66% das cidades ainda não se prepararam.

Um levantamento recente revela que 66% das cidades do Brasil não iniciaram ou estão apenas começando a elaboração de planos para enfrentamento do calor extremo, conforme divulgado pela presidência da COP30 e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Deficiências no planejamento e ação
O estudo abrangeu 53 municípios e apontou falhas significativas no planejamento urbano, uso de dados e capacidade de resposta a eventos climáticos. Embora seja um problema principalmente urbano, as ondas de calor em ascensão e o potencial de um Super El Niño em 2026 ressaltam a importância de atenção também ao setor rural.
✨ 93% dos gestores veem o calor extremo como um problema crítico.
Apesar do reconhecimento, 75% das cidades não utilizam dados de forma sistemática em suas decisões, e 85% precisam de ajuda externa para implementar medidas de adaptação. Apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas adequados para mapear os riscos associados ao calor extremo.
Ações em curso e soluções naturais
As iniciativas mais comuns incluem soluções baseadas na natureza, como arborização urbana e áreas sombreadas. Este tipo de abordagem está presente em 77% das cidades pesquisadas. Entretanto, medidas de resfriamento passivo, que englobam técnicas como ventilação cruzada e materiais refletivos, são vistas em apenas 21% ou menos das cidades.
Além disso, a maioria das cidades, mais de 80%, não definiu critérios sustentáveis para compras públicas que visem ao resfriamento urbano, o que poderia melhorar a eficácia das ações de adaptação.
Contexto do calor extremo
Calor extremo é caracterizado pela incapacidade do calor acumulado durante o dia se dissipar à noite por dois dias ou mais, resultando em aproximadamente 500 mil mortes anuais no mundo, segundo o Pnuma. No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor foram relacionadas a cerca de 50 mil mortes em áreas metropolitanas.
Implicações para a agropecuária
Para o setor agropecuário, esse fenômeno é alarmante, pois o calor persistente, aliado à seca, pode comprometer a disponibilidade de água, a produtividade das lavouras e pastagens, além aumentar o risco de incêndios e pressão sobre a energia.
Embora o estudo não inclua uma análise específica sobre áreas rurais, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) destaca a possibilidade de um Super El Niño na segunda metade de 2026, que pode intensificar secas e ondas de calor em diferentes regiões do país.
✨ 51% das cidades pretendem criar políticas municipais completas em 12 a 18 meses.
Nos próximos 12 a 18 meses, mais da metade das cidades participantes planejam desenvolver políticas abrangentes sobre o tema, com 28% focando intervenções em áreas que apresentam maior vulnerabilidade. O monitoramento das condições oceânicas e atmosféricas é crucial para essa adaptação, que depende da evolução climática nos meses vindouros.
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