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Cientistas preservam núcleos de gelo na Antártida para futuro estudo

Ação visa guardar registros climáticos ameaçados pelo aquecimento global

Fernanda Lima17 de junho de 2026 às 03:50
Cientistas preservam núcleos de gelo na Antártida para futuro estudo

Na Antártida, uma iniciativa inovadora guarda preciosas amostras de gelo a -52°C, em uma caverna natural próxima à Estação Concordia, para preservar registros climáticos que estão em risco devido ao aquecimento global.

Projeto Ice Memory visa salvar informações climáticas antes que as geleiras desapareçam.

Em meio ao extenso campo de gelo da Antártida, uma caverna especial abriga um tesouro valioso que documenta a história climática da Terra ao longo de séculos. Ao invés de paredes de aço, essa instalação é um espaço escavado na própria neve, onde cientistas armazenam cilindros de gelo ancestral retirados de geleiras ameaçadas.

Essas amostras capturam informações sobre eventos climáticos passados, como erupções vulcânicas, poluição e variações atmosféricas. O projeto, coordenado pela Ice Memory Foundation, busca conservar esses registros antes que o aumento das temperaturas acabe com eles.

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Não podemos salvar a geleira inteira, mas podemos salvar as informações ambientais e climáticas armazenadas nessas geleiras

Thomas Stocker, presidente da Ice Memory Foundation.

Os cilindros de gelo armazenam pequenas bolhas de ar que contêm gases de efeito estufa da época em que foram formados. Analisando essas bolhas, os cientistas conseguem traçar a evolução das concentrações de gases como o dióxido de carbono, revelando que, atualmente, os níveis são os mais altos dos últimos 800 mil anos.

A perda de geleiras tem se acelerado nas últimas décadas e, se as emissões de gases continuarem, até 4.000 geleiras podem desaparecer anualmente até 2050. A Ice Memory Foundation foi criada há cerca de dez anos, quando a urgência da situação se tornou evidente.

Preservação de amostras

O processo de coleta e transporte das amostras é complexo, exigindo expedições em condições rigorosas, como no Tadjiquistão, onde uma recente perfuração ocorreu a 5.820 metros de altitude.

Os cientistas utilizam tecnologia de radar para identificar locais estáveis para perfuração e, uma vez extraídas, as amostras são cuidadosamente armazenadas na caverna na Antártida, onde temperaturas extremamente frias garantem a conservação do gelo.

Com a finalidade de preservar o conhecimento sobre o clima local e global, a Fundação trabalha para coletar núcleos de gelo de 20 geleiras ao redor do mundo, sendo que até agora, dez já foram extraídas.

As geleiras da Suíça perderam cerca de 35% do seu volume nos últimos tempos, e as projeções indicam que esse número poderá aumentar drasticamente.

O trabalho realizado atualmente será fundamental para futuras gerações de cientistas, que poderão acessar novas informações climáticas à medida que a tecnologia avança.

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