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Caiçara destaca importância do defeso para a captura de caranguejos

Antônio de Souza defende preservação das espécies e fiscalização ambiental

Mariana Souza27 de maio de 2026 às 11:40
Caiçara destaca importância do defeso para a captura de caranguejos

Antônio de Souza, um caiçara com quase 50 anos de experiência na captura de caranguejos no litoral do Paraná, enfatiza a importância do período de defeso para garantir a reprodução das espécies marinhas, essencial para a alimentação de sua família e manutenção de sua renda.

Durante uma visita ao manguezal da Oceania em Paranaguá, Pano, como é conhecido, salienta que a proibição da captura durante o defeso é crucial para assegurar que as futuras gerações possam desfrutar desse recurso. Ele observa: "Se não preservarmos, meus filhos e netos não terão caranguejos para comer".

A pesca de caranguejo gerou cerca de R$ 9,8 milhões no Paraná em 2024.

Antônio participa do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), que vem sendo apoiado pela Petrobras desde 2009. A iniciativa monitora a saúde dos manguezais e do caranguejo-uçá, crucial para a biodiversidade da região.

Pesquisadores, como a professora Cassiana Baptista Metri, da Universidade Estadual do Paraná, estão examinando a presença de elementos químicos nos caranguejos. Ela constatou concentrações de zinco, manganês e magnésio, essenciais para a saúde humana, mas também identificou contaminantes como mercúrio e chumbo, levantando preocupações sobre potenciais riscos à saúde dos consumidores.

Observações do Estudo

Embora a presença de contaminantes tenha sido variável, aprofundar o entendimento sobre os efeitos do consumo de caranguejos potencialmente contaminados é fundamental.

Cassiana sugere que os caranguejos podem eliminar os contaminantes por meio de sua carapaça ou se beneficiam de uma dieta que inclui folhas do mangue, podendo conter substâncias antioxidantes que os protegem. Os resultados podem oferecer perspectivas para novas aplicações na indústria farmacêutica.

Com um investimento de R$ 6 milhões da Petrobras ao longo de quatro anos, o Rebimar continua a monitorar a biodiversidade da Grande Reserva Mata Atlântica, uma área essencial para a conservação no Brasil.

A oceanógrafa Sarah Charlier Sarubo avalia a saúde dos manguezais, fundamentais no combate às mudanças climáticas, destacando que eles são muito mais eficientes em capturar carbono em comparação com outros ecossistemas, como a Amazônia.

Manguezais têm o potencial de reduzir em até 60% a energia das ondas e prevenir a erosão.

Sarah conclui que os manguezais funcionam como naturais filtros da água, contribuindo para a purificação de contaminantes e promovendo um ecossistema mais saudável para as comunidades costeiras.

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