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meio-ambiente
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FAO e Embrapa lideram iniciativa para medir emissões da aquicultura

Projeto visa criar diretrizes globais para a contabilidade climática no setor.

Tiago Abech30 de abril de 2026 às 10:15
FAO e Embrapa lideram iniciativa para medir emissões da aquicultura

A falta de diretrizes adequadas para a mensuração de emissões de gases de efeito estufa (GEE) na aquicultura motivou um novo projeto internacional, coordenado pela FAO e a Embrapa Meio Ambiente, que busca criar uma metodologia que permita aos países reportar suas emissões no setor.

Essa iniciativa é crítica para a criação de políticas climáticas efetivas no setor aquícola.

Conforme afirma Fernanda Sampaio, pesquisadora da Embrapa, a ausência de métricas confiáveis é um dos maiores obstáculos para a sustentabilidade da aquicultura. "Sem essas informações, é desafiador direcionar políticas públicas e avaliar o impacto das tecnologias atuais no campo", ressalta.

Necessidade urgente de diretrizes

Atualmente, as nações signatárias da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima têm orientações do IPCC para setores como a agricultura e pecuária, mas não para aquicultura, mesmo em países como Brasil e China, onde essa atividade está crescendo rapidamente. Isso dificulta a elaboração de inventários nacionais e a inclusão da aquicultura em políticas climáticas.

O relatório da FAO, "O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura", indicou que a produção aquícola superou pela primeira vez a pesca de captura em 2022, totalizando 130,9 milhões de toneladas.

Colaboração internacional

Em resposta a essa demanda, a Embrapa reuniu especialistas de vários países, incluindo Brasil, China, Estados Unidos, Uruguai e Zimbábue, com a meta de desenvolver um método padronizado para mensuração de dados de atividade e fatores de emissão na aquicultura, abrangendo tanto a piscicultura quanto o cultivo de bivalves.

Tecnologias inovadoras, como sensoriamento remoto, serão empregadas para suprir lacunas de informação.

As unidades da Embrapa, como a Embrapa Cerrados e a Embrapa Agropecuária Oeste, terão papéis essenciais na caracterização de viveiros escavados, enquanto a Embrapa Territorial ficará responsável pelo monitoramento global.

Impacto das novas diretrizes

Lucíola Magalhães, da Embrapa Territorial, ressalta que a iniciativa tem potencial para gerar indicadores aplicáveis em todo o Brasil, aprimorando a gestão do setor e contribuindo para a sustentabilidade.

Como parte do projeto, será realizado um workshop internacional no Brasil, onde as metodologias propostas serão apresentadas e debatidas antes de serem submetidas ao IPCC.

Essa iniciativa visa não apenas aumentar a transparência das emissões, mas também garantir um papel estratégico da aquicultura nas políticas globais de mitigação das mudanças climáticas.

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