Voltar
Meio Ambiente
3 min de leitura

Marrocos planeja alcançar 60% de água potável dessalinizada até 2030

Projeto visa transformar água do mar em recurso vital diante da escassez hídrica.

Camila Souza Ramos14 de junho de 2026 às 14:15
Marrocos planeja alcançar 60% de água potável dessalinizada até 2030

O Marrocos está implementando um audacioso plano para garantir que até 2030, 60% da água potável do país seja proveniente da dessalinização, uma resposta às crescentes preocupações com a escassez de água em um contexto de mudanças climáticas.

Desafio da escassez hídrica

Com o aumento da escassez de água global, as tecnologias de dessalinização estão se tornando cada vez mais essenciais. Em 2024, já existiam mais de 22.000 usinas operando, especialmente no Oriente Médio e Norte da África, que são as regiões mais afetadas por essa crise hídrica.

O Marrocos busca obter 60% de sua água potável do oceano até 2030.

Apesar do fim de uma seca de sete anos, o governo reconheceu que confiar apenas em chuvas e reservatórios não é mais suficiente para garantir abastecimento de água. Como destacou Nizar Baraka, Ministro de Equipamentos e Água, a seca se tornou uma realidade estrutural, não um fenômeno passageiro.

Megaprojeto de dessalinização

O principal projeto que lidera essa nova estratégia é uma usina de dessalinização de 650 milhões de dólares, em construção perto de Casablanca. Essa instalação promete ser a maior da África e uma das mais inovadoras do mundo, já que será totalmente movida por energias renováveis, extraindo energia de um parque eólico situado no Saara Ocidental.

Com previsão para entrar em funcionamento em 2027, a usina terá capacidade de fornecer 79 bilhões de galões de água potável anualmente, beneficiando 7,5 milhões de pessoas na região e irrigando extensas áreas agrícolas.

Financiamento e sustentabilidade

Para viabilizar esses grandes investimentos, Marrocos tem optado por parcerias público-privadas. O projeto de Casablanca, por exemplo, recebeu apoio significativo de financeiras internacionais e do governo espanhol. Além da dessalinização, o plano envolve construção de barragens, reutilização de água e um sistema de dutos para transporte de água de áreas úmidas para regiões secas.

Desafios ambientais

A dessalinização é uma solução viável, mas traz consigo um grande consumo energético e pode impactar negativamente o meio ambiente. O processo comum de osmose reversa, utilizado nas usinas, gera uma quantidade significativa de salmoura, que, se mal gerida, pode prejudicar os ecossistemas marinhos. No entanto, a nova usina de Casablanca foi projetada com um sistema de diluição que busca minimizar esses impactos.

Impactos na agricultura

A agricultura é o setor que mais consome água no Marrocos, e a dessalinização oferece uma alternativa viável em um país onde a produção agrícola tem enfrentado desafios severos devido à seca. Regiões como Souss-Massa, que respondem por uma parte significativa das exportações agrícolas, estão utilizando essa tecnologia, permitindo que agricultores aumentem suas produções.

"

A dessalinização salvou a agricultura em Chtouka

Mohamed Boumarg, agricultor local.

Entretanto, o custo elevado da água dessalinizada continua sendo um entrave para muitos pequenos agricultores, e a viabilidade dessa tecnologia deve ser acompanhada de políticas de subsídio ou combinações com outras fontes de água mais acessíveis.

Cooperação em nível continental

O Marrocos está não apenas avançando em seus próprios planos, mas também liderando esforços para compartilhar experiências com outros países africanos, numa tentativa de enfrentar os desafios da escassez hídrica de forma conjunta e colaborativa. O congresso realizado em Marrakech destacou a necessidade de parcerias no desenvolvimento de soluções hídricas sustentáveis.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Meio Ambiente