Cacau dispara no mercado devido a temores do El Niño
Preços aumentam devido a possíveis impactos na safra da África Ocidental

Os preços do cacau registraram uma alta significativa em maio, impulsionados por preocupações sobre os impactos do El Niño na produção no oeste da África, responsável por 70% da oferta global.
Os contratos futuros da commodity na bolsa de Nova York subiram 21,5%, atingindo um preço médio de US$ 4.107 a tonelada, conforme dados do Valor Data. A elevação foi ainda mais acentuada na primeira semana do mês, com um aumento de 30% após a NOAA indicar 79% de chance do fenômeno climático ocorrer entre junho e agosto.
✨ A falta de chuvas, especialmente durante o crucial período de desenvolvimento das plantas em países como Costa do Marfim e Gana, pode resultar em uma quebra de safra.
Lucca Bezzon, analista da StoneX, destacou o papel dos ventos Harmatã, que podem bloquear as chuvas na região. A consultoria já revisou suas projeções de superávit global para o cacau, reduzindo de 247 mil toneladas para apenas 149 mil toneladas no ciclo 2026/27.
Históricos mostram que, na safra 2023/24, o impacto do El Niño provocou um déficit de quase 500 mil toneladas de cacau.
Ascensão de outros produtos agrícolas
No mercado de açúcar e algodão, a alta dos preços foi também influenciada pela oscilação do petróleo, devido à instabilidade no Oriente Médio. Em Nova York, o açúcar teve alta de 7,4%, enquanto o algodão subiu 6,6%. A valorização do petróleo torna o etanol mais competitivo em relação à gasolina, afetando a produção de açúcar e o preço do algodão.
Por outro lado, o preço do café caiu 6,1% devido à expectativa otimista para a safra no Brasil, histórico líder na produção de café arábica.
Cenário no mercado de grãos
Na bolsa de Chicago, o trigo destacou-se com uma alta de 6,1%, alcançando US$ 6,4836 o bushel. Apesar de a colheita de trigo de inverno ter começado apenas no final de maio, já se observa uma previsão de queda na safra 2025/26.
Analisando os dados, Luiz Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, explicou que a diminuição da área plantada nos EUA e a seca nas Grandes Planícies são fatores que contribuem para essa valorização.
Adicionalmente, o encontro entre os presidentes dos EUA e China em maio suscitou expectativas sobre um possível aumento nas compras agrícolas americanas, o que impulsionou outros grãos, com soja e milho subindo 1,5% e 2,1%, respectivamente.
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