Mercados agrícolas enfrentam turbulências com alta nos preços do algodão
Volatilidade em expectativas de preços e políticas afeta os setores.

Os mercados agrícolas e de energia estão passando por um período intenso de volatilidade, com mudanças rápidas que impactam as expectativas de preços, custos e políticas públicas.
De acordo com a consultoria Veeries, o mercado do algodão se destacou entre as variáveis, apresentando uma transição de margens apertadas e a previsão de diminuição da área cultivada para uma visão ligeiramente mais otimista.
Até o início do ano, os preços do algodão estavam nos níveis mais baixos dos últimos anos, impactando severamente as margens dos produtores brasileiros. A consultoria tinha projetado uma redução de 8% na área para a safra 2024/25.
A escalada da guerra no Irã gerou preocupação, aumentando os custos dos fertilizantes nitrogenados. Entretanto, uma elevação nos preços do petróleo reduziu a competitividade de fibras sintéticas, como o poliéster, enquanto o clima seco no Texas intensificou as projeções de área abandonada nos Estados Unidos.
✨ Como resultado, o preço do algodão subiu de aproximadamente US$¢ 60 para quase US$¢ 80 por libra-peso, aliviando um pouco a pressão sobre as margens dos produtores.
Apesar dessa recuperação, especialistas acreditam que o cenário ainda não é favorável, embora permita alguma estabilidade na área plantada. Uma possível redução nos custos dos nitrogenados até o final do ano pode oferecer uma melhora adicional na formação de custos do algodão safrinha.
Na Argentina, o governo anunciou um calendário de diminuição das retentions sobre os principais produtos agrícolas, avançando em uma promessa de campanha do presidente Javier Milei. Embora não se preveja a isenção total dos tributos durante seu mandato atual, novas reduções poderiam ocorrer em um eventual novo mandato.
A reação dos produtores a essas mudanças é incerta; taxas mais baixas poderiam incentivar investimentos, mas também levar à postergação das vendas de soja.
No cenário internacional, as tensões comerciais entre Estados Unidos e China permanecem, com Pequim não garantindo o compromisso de compra agrícola que foi anunciado pela Casa Branca. Ademais, a situação no Oriente Médio, particularmente no estreito de Ormuz, continua instável, mantendo as flutuações nos preços do petróleo.
Por fim, no Brasil, o setor de biodiesel está aguardando definições sobre o aumento na mistura de 15% para 16%. O governo já formalizou testes que podem elevar essa mistura para até 25%, com custos compartilhados entre as usinas.
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