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Preço do cacau no Brasil se aproxima dos valores internacionais

Diminuição da diferença de preços pode impulsionar o mercado nacional

João Pereira15 de junho de 2026 às 05:55
Preço do cacau no Brasil se aproxima dos valores internacionais

A disparidade entre o preço pago ao produtor de cacau no Brasil e as cotações da commodity na bolsa de Nova York está diminuindo, sinalizando uma possível recuperação na demanda pela amêndoa.

Essa variação, referida como “basis”, atualmente apresenta um valor negativo. No entanto, esse cenário já foi pior entre o final de 2025 e o início de 2026. Especialistas acreditam que a normalização dos preços pode incentivar o processamento do cacau, com a possibilidade de que o mercado brasileiro volte a registrar valores superiores em relação aos internacionais.

O preço atual oferecido aos produtores brasileiros está US$ 1.000 abaixo das cotações em Nova York, segundo a StoneX.

De acordo com Lucas Bezzon, analista de cacau da consultoria, o deságio pode diminuir à medida que a indústria de moagem se fortaleça novamente, o que depende do preço competitivo da manteiga de cacau frente a substitutos como a gordura vegetal.

Bezzon afirmou: “Com o preço em Nova York em torno de US$ 4.000, isto cria um incentivo para o retorno da moagem. Estamos voltando a um nível de normalidade.” Em outras palavras, se a manteiga de cacau continuar com preços favoráveis, a indústria irá aumentar o processamento das amêndoas.

Caso essa tendência se concretize, as compras internas de cacau podem revitalizar o mercado, podendo levar o “basis” de negativo para positivo. Historicamente, o cacau brasileiro é vendido com um ágio médio de US$ 134 por tonelada em relação a Nova York, devido à sua escassez no Brasil.

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“Com escassez de amêndoas, há necessidade de importação e o produtor consegue cobrar mais pelo seu produto”

Leonardo Rossetti, analista da StoneX.

Em contraste, culturas como soja e café, onde o Brasil tem superávit, frequentemente apresentam um “basis” negativo. O atual ambiente de variação do “basis” começou com a alta dos preços da commodity em Nova York há dois anos, atingindo um pico de mais de US$ 12 mil por tonelada em dezembro de 2024.

Contexto do Mercado

Estudo da StoneX, encomendado pela AIPC, revelou que de 2023 até o presente, os diferenciais de preços oscilaram entre altos e baixos, reflexo da quebra de safra na África e na Bahia devido ao fenômeno de El Niño.

No auge da escassez, em agosto de 2024, os produtores brasileiros conseguiram um ágio de US$ 4.300 por tonelada, representando um aumento de 61% em relação à bolsa. Contudo, o último ano viu uma mudança no mercado, com algumas chocolaterias alterando suas fórmulas para reduzir a utilização de cacau, ocasionando uma queda na demanda, que ainda está em recuperação.

Em setembro de 2025, uma nova dinâmica de produção global, combinada a uma demanda fraca resultou em um deságio de US$ 2.392 por tonelada, 34% abaixo do preço de mercado.

A situação atual gerou pressão sobre os produtores, que solicitaram uma barreira às importações de cacau. Em fevereiro, o governo suspendeu as compras da Costa do Marfim, principal fornecedor do Brasil, em razão de questões sanitárias, o que deixou os produtores satisfeitos, mas descontentou a indústria.

O estudo da AIPC sugere que essa medida pode ter um efeito limitado, já que não há um excesso de oferta de amêndoas no Brasil e as restrições não devem levar a um aumento de preços para os produtores.

Por fim, o fenômeno El Niño surge como um ponto crucial para os próximos meses. Bezzon indica que duas possibilidades podem surgir: uma escassez global de cacau pode favorecer os produtores nacionais, ou um súbito aumento de preços em Nova York surge após a colheita brasileira, limitando assim os lucros locais.

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