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Coruripe vê aumento na produção de cana, mas queda nos preços afeta receita

Apesar do crescimento na produção, a queda de preços impacta o faturamento da safra.

Camila Souza Ramos20 de junho de 2026 às 10:30
Coruripe vê aumento na produção de cana, mas queda nos preços afeta receita

A Usina Coruripe apresentou seu relatório operacional-financeiro de maio de 2026, destacando um aumento significativo na produção agrícola e industrial, embora a queda nos preços de açúcar e etanol esteja impactando o faturamento.

A moagem alcançou 3,34 milhões de toneladas de cana, crescimento de 31,1% em relação ao ano anterior.

Os dados reportados mostram que a safra 2026/27, até maio, apresenta uma moagem de cana-de-açúcar que subiu brutalmente, impulsionada por um aumento de produtividade. O TCH, que mede as toneladas de cana por hectare, avançou 16,8%, atingindo 88,15 t/ha, enquanto o ATR, que calcula o Açúcar Total Recuperável, subiu 3%, totalizando 120,87 kg por tonelada.

Na parte industrial, a produção de açúcar equivalente alcançou 7,98 milhões de sacas, o que representa um aumento de 38%, enquanto a produção de etanol quase dobrou, chegando a 103,5 mil metros cúbicos, um crescimento impressionante de 97%. Além disso, a produção de energia elétrica também teve um crescimento de 13,3%, totalizando 147,9 mil MWh.

Queda nos preços e receitas

Apesar do aumento na produção, a usina enfrentou desafios desde o início da safra devido à significativa queda nos preços. O açúcar equivalente viu seu preço médio despencar 16,5%, passando de R$ 117,36 para R$ 97,98 por saca. O açúcar VHP sofreu uma redução de 22,8% e o açúcar cristal caiu 27%.

Consequentemente, a receita bruta consolidada da safra foi de R$ 457 milhões, uma diminuição de 14,4% em comparação ao mesmo período da safra anterior, quando arrecadou R$ 534 milhões. A receita proveniente do açúcar caiu 26,4%, enquanto a vinda do etanol teve um leve recuo de 2,8%.

A companhia reportou uma redução no prejuízo líquido de R$ 98,7 milhões para R$ 91,1 milhões. No entanto, o lucro bruto aumentou 6,7%, totalizando R$ 121,9 milhões, refletindo uma margem bruta que subiu de 22,6% para 28,1%. O EBITDA ajustado também registrou uma baixa de 14%, somando R$ 130,7 milhões.

A dívida líquida caiu 35,7%, passando de R$ 3,75 bilhões para R$ 2,41 bilhões.

A empresa também informou ter recebido, em maio, aproximadamente R$ 1,5 bilhão, provenientes da monetização de precatórios, um valor que fortalecerá seu fluxo de caixa e pode resultar em uma redução do passivo financeiro no futuro próximo.

Expectativas para o futuro

Com uma forte presença no mercado internacional de açúcar, a Coruripe já fixou cerca de 69% da produção de açúcar VHP para a safra em 2026/27, com um preço médio de R$ 2.033 por tonelada, o que ajuda a mitigar parte dos riscos associados à volatilidade de preços no mercado.

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